Capítulo 2

158 23 4


Era fim de tarde, e a luz já quase escassa do sol entrava fraca pelas janelas de vidro de uma pequena lanchonete, deixando o lugar na penumbra. Crianças corriam de um lugar para o outro, esbarrando nas mesas e fazendo bagunça. Uma jovem garçonete olhava aquilo desorientara, já não aguentava mais gritar para que parassem.

Dante estava sentado em um banco alto de plástico junto ao balcão. Rodando uma colher dentro de seu copo de café com leite ele ignorava o escarcéu ao seu redor. Humanos são assim, barulhentos. Riu consigo mesmo.

Afrouxou a gravata que apertava-lhe o pescoço e tomou um gole de sua bebida. O gosto não era dos melhores, porém nem se importou. No fundo não precisava tomar aquilo, embora fosse bom manter as aparências.

Parado, olhando para o nada, pensou em quando decidiu se tornar um detetive. O que era interessante e um tanto engraçado pois antes nunca havia pensado em estar do lado da lei. Mas era um bom passatempo, um tanto divertido, se atreveria a dizer.

Sentiu uma mão tocar seu ombro e saltou do banco em posição de ataque. Estava distraído, e só ele sabia o quanto não poderia deixar que aquilo acontecesse.

– Ei, cara, calma! – O detetive Afonso se assustou com a reação do parceiro.

Dante olhou o colega de cima a baixo, dos seus sapatos pretos sociais até os cabelos cacheados, passando da hora de cortar, parcialmente escondidos sob um chapéu. Encarou os olhos castanhos e levou alguns segundos para se certificar que era mesmo o Afonso. Para o parceiro foi um ato estranho, mas para Dante cuidado nunca era demais.

– Não é nada. – Ele finalmente sorriu. – Foi apenas um susto.

– Você é estranho cara. – Afonso riu e puxou um banco ao lado do de Dante para que pudesse se sentar.

– Aceita algo? – Perguntou a garçonete a ele.

– Sim um café. – Afonso mal olhou para ela. Nem se deu conta de como o encarava. Ele se arrependeria depois.

Encarou o saleiro e o vidro de pimenta no balcão antes de voltar-se para Dante.

– Alguma novidade sobre o caso do cara encontrado morto essa manhã?

Dante balançou a cabeça em negativa e Afonso prosseguiu.

– Estive com o legista a pouco e ele me disse que não encontrou nenhuma droga pesada ou desconhecia no corpo da vítima, nada além de álcool e que não possuiu ainda nenhuma justificativa para o estado mumificado em que o encontramos.

– O melhor é começarmos interrogando as últimas pessoas que estiveram com ele. – Dante tomou o último gole de seu café com leite.

– Vamos até a delegacia então. – Afonso se levantou num salto e tomou seu café em um único gole. – Deixei meu carro estacionado no beco. – Jogou sobre o balcão algumas moedas.

Dante seguiu o parceiro até a entrada da lanchonete, então parou, olhou ao redor. As pessoas precisam felizes, um casal sentado em uma mesa próxima, dividida uma porção de batatas, colocando um na boca do outro. As crianças ainda riam e corriam para todo lado. Tudo parecia bem, estão por que estava tão desconfiado?

Caminharam até o beco em silêncio. Àquela altura o Sol já havia se escondido quase por completo atrás dos prédios altos e deixava o lugar na penumbra. Dante observou alguns ratos correram para trás de uma grade caçamba de lixo. Ah Afonso, que ótimo lugar para deixar o carro!

O lugar estava silencioso, silencioso demais...

– Ah, qual é?! Lá na frente estava cheio. – Balbuciou Afonso ao perceber o como o amigo o encarava.

Do Inferno À Luxuria (Desejos Sombrios 2) - DegustaçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!