dois

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Ela sempre começa assim: um passo por vez e então cai. É impossível contar as vezes que ela precisou ser erguida.

E, no meio da tarde, ela decide que precisa dançar e, simplesmente, dança o que quer que seja aquela coreografia elaborada para fracassar.

Quase sempre acho que é por isso que ela precisa entender nem todo mundo está disposto a enlouquecer assim.

Mas, nem sempre, estou certo quanto ao que vejo. Quando se trata dela, o mundo é como um bocejo que se acaba para que outro venha a bocejar.

E então eu decidi voltar. Fazer o quê? Parece mesmo que meu mundo é lá. E foi assim que descobri, fora de hora, que a promessa havia sido quebrada: ela estava bem ao lado de alguém que não era eu.

Nenhum outro ar parecia respirável. Entendi isso quando já quase estava sem fôlego. Então, tentei morrer sozinho, mas parece que os outros ares ainda querem me torturar.

Querida, ainda lhe envio cartas, será mesmo que deveria? Esse seu amigo não parece tão bom.

Então, querida, você resolveu respirar outro ar. Não sabia que iria doer tanto, mas fico feliz por te ver fora de sua gaiola.

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