Capítulo 10 - Terna

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Caminho com leveza em direção ao meu quarto, meus pensamentos vagam na inocência de Esperança, como ela abnega de suas obrigações tão facilmente? Eu jamais deixaria de ter o que de fato é meu por direito. Escuto vozes vindo da sala de leitura, mais conhecida como sala da bebida. Viro os olhos pensando que os soberanos não conseguem se embriagar no entanto nunca deixam de tentar. Ando até lá na esperança de ser convidada para uma taça de vinho tinto, a sala é grande com uma adega na parede oposta a porta, lá tem bebidas de todos os tipos, uma sofá grande e negro e quatro poltronas, além de um tapete vermelho e uma estante de livros que compõe o ambiente.

As vozes aumentam conforme chego perto e sou retida pelo comentário que ouço.

-Ivy nos surpreendeu hoje, não é mesmo? –Fala Doriam com divertimento.

-E quando ela não faz isto? –Fala Ravi irritado. – Você acha que ela pode estar sentindo paixão por algum semi soberano?

- Acha que ela mentiu para o Supremo Soberano? – Doriam pergunta incrédulo.

- Talvez. – Ravi responde calmamente e indiferente. – Ela não deve querer submete-lo a ira de Drakon.

Ambos gargalham comentando sobre as provações que teriam de passar os pretendentes de Ivy. Reviro os olhos para aquela besteira sem sentindo, prestes a entrar quando Ravi volta a falar.

-Bom e quanto a Terna? –Paraliso, meu coração sendo preenchido por um estranho sentimento, é medo? É desconfiança que vão rir de mim, talvez esperança...

-O que tem ela? –Pergunta Doriam com certa impaciência. Fecho os olhos indignada e mordo os lábios para não questiona-lo. –Terna não se interessa por nenhum de nós...

-E Ivy se interessava por algo além de seus rizamans? –Há um murmúrio. –O que? Você a beijou? Está fora de si por acaso?

-Não, acontece que a peste entrou em meu quarto e eu pensei que fosse Dinda, então... eu a beijei... duas vezes, mas a segunda por que ela estava reclamando com o rizaman que me beijou quando eu estava pelado.

-O QUE?

-EU DURMO PELADO. –Grita ele e me afasto da porta por um breve momento para retornar. –A questão é que esta noite ela pede para descompromissa-la... talvez ela tenha refletido sobre o assunto e visto que não gostou do beijo.

Ravi faz uma voz feminina e preciso segurar o riso.

-Que isso você é lindão, vem aqui. –Ouço um soco e ambos rindo. –Falando sério, vamos deixar que Terna escolha quando chegar a hora, acho que assim seremos justos com ela.

Meu coração fica aos pulos. Eu poderei escolher entre os dois soberanos mais belos de todo reino e entre os dois reinos. Ivy finalmente conseguiu me presentear com algo decente.

Saio de lá sem fazer barulho indo para meu quarto com o maior sorriso que já dei em toda minha existência, ele se apaga ao ver Ivy parada a minha porta. Quando me vê ela entra em meu quarto sem pedir permissão, fazendo meu mau humor aflorar. Entro em seguida e fecho a porta.

-O que quer? –Pergunto com impaciência. Ela passa os dedos pela minha mobília.

-É tudo tão limpo aqui... –Ela fala como se fosse algo ruim. –Você mesma que...

-É claro que não, agora responda minha pergunta. –Ela assente e senta perto da minha lareira.

-Imagino que tenha notado que dispensei os rapazes do compromisso... pensei que poderia fazer o mesmo. –Começo a rir, ela me olha com espanto. –É sério Terna... é triste eles terem que casar conosco por obrigação... além do mais, você não quer um amor como o de nossos pais, que é eterno e verdadeiro?

-Não venha aqui dizer que desistir de suas obrigações é algo decente. Não vou desistir de ser a soberana de luz ou das trevas por que você tem medo de cumprir suas obrigações... –Passos as mãos por meus cabelos e me aproximo de Ivy, fazendo carinho em seu cabelo. – Minha querida, alguém precisa ser responsável... e tirar um pouco do fardo das costas de Coragem e Determinação... o que você fez pode parecer belo na sua concepção, mas foi tola.

-Eu... eu não pensei desta maneira, ainda posso ajuda-los com as obrigações, afinal somos soberanas e...

-Não, não até que sermos esposas deles. –Ivy me desafia com o olhar.

-Quero ver eles tentarem me impedir de ajudar. –Sendo assim sai porta afora. Dando um encontrão em Ventania. –Preciso falar com você, me siga.

Saio para ver o que acontece quando Doriam as vê no fim do corredor, olhando-as com um misto de curiosidade e compreensão.

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