CAPÍTULO 6

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          — Realmente ganhamos um novo capítulo...

          — Hikari, você não pode começar assim, quebrando a quarta parede do nada...

          — Por quê?

          — Precisa ter um texto de impacto antes...

          — Hum... Certo!

2

          Já parou para pensar o que se passa na cabeça de um leão momentos antes de ele atacar uma presa. Será que durante esses segundos de hesitação, coisas como medo, ansiedade, pena ou até mesmo remorso vem à cabeça dele? Talvez a ideia de ser um predador alfa seja a suficiente para tirar todo o peso das costas.

          Pode ser um pouco irracional pensar nisso, já que são apenas animais selvagens querendo se alimentar, não tem por que encontrar razões ou motivos para isso e muito menos sentimentos tão "humanos", porque, no fim, animais são apenas animais.

          Porém, aqueles que conhecem o medo, a ansiedade, a pena e o remorso, mas ainda assim conseguem ferir aos outros, são os que podem realmente serem chamados de "selvagens". Isso não se limita somente ao ato de matar, as pessoas sabem o quão cruel pode ser deixar alguém de lado, mas, na primeira oportunidade, darão as costas aos outros, usando a desculpa de que não se conhecem. Mas, no fim, humanos são só humanos.

          Não, humanos são apenas animais...

          Eu me aproximei do garoto caído no chão, o buraco na sua perna não parecia ser tão grave, talvez em cinco ou dez minutos já estivesse recuperado.

          — Novamente... Não leve isso para o lado pessoal, eu só estou aqui por causa da Hikari e por ela. — Apontei em direção ao escudo nas mãos dele. — Mas, sabe? É um pouco decepcionante te ver assim, esperava que você tivesse aquele olhar assassino de antes.

          O garoto estremeceu e não disse nada.

          — Mas veja bem... — Eu continuei falando. — Você ficaria um pouco encrencado se continuasse lutando com essa garota. Os ataques dela não são físicos, eles são "mágicos" e a menos que ela te ataque com o pincel, você nunca vai conseguir refletir ou copiar as habilidades dela.

          — É por isso que estamos aqui! — Hikari se aproximou de mim. — Não quero ver minha irmã queimada, sabe?

          — I-Irmã? — perguntou o garoto.

          — Sim, sim, irmã... Apensar de eu nem saber o nome dela ainda. Fufufu. — Hikari riu, usando uma das suas risadas de vilã que eu tanto peço para ela evitar.

          — Mas deixando isso de lado, vamos ao que importa aqui. — Eu me virei em direção à garota que chorava. — Esse pincel é realmente um problema, me traz péssimas lembranças, então se possível, eu gostaria de não ter que lutar, matar pessoas não é algo que eu goste de fazer, sabe?

          — V-Você conhece este pincel? — perguntou a garota em meio às lágrimas.

          — Sim, nós acabamos enfrentando ele um tempo atrás — respondi.

          — Então foi você! Você quem matou meu irmão! — O garoto daquele dia era o irmão dela... Isso explica o porquê de ela ter o pincel.

          Eu cocei a cabeça e então disse:

          — O máximo que posso fazer agora é pedir desculpas.

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