Capítulo 9 - Ivy

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Meu primeiro beijo havia sido incrível, aliás este dia inteiro foi incrível. Doriam com seus belos olhos cor de vinho havia me beijado e me levado ao seu reino, consegui trazer a semi soberana da ambição de volta para o reino e meu belo soberano me trouxe de volta em seus braços, sem falar no orgulho de papai e mamãe por ter usado meus poderes para salvar uma semi soberana de um destino cruel, afinal, ela teria que conviver com suas escolhas por toda a eternidade.

A noite cai no Supremo Reino, a chuva fraca bate nas paredes, enquanto eu ando pelos corredores em busca de uma xícara de chá e talvez me depare com um certo belo soberano de olhos cor de vinho. O jantar em breve seria servido e todos devemos nos reunir na sala. Perdida em pensamentos ouço vozes vindas do jardim, me aproximo da janela quando ouço a voz de Doriam.

Meu peito se infla de esperança, por talvez mais um beijo roubado. Mas meu corpo paralisa ao ouvir uma voz feminina seguida por um Doriam desapontado.

- Não fique assim minha linda. – Diz ele em voz baixa. Imediatamente sinto uma pequena dor no peito. – Ainda é cedo para qualquer coisa.

- Doriam! Ambos sabemos que você nunca será meu. – A voz de ventania é triste e baixa. Espio para olhar a semi soberana tristonha, mesmo magoada ela é linda, seus cabelos são rebeldes e ruivos, seus olhos são azuis claros como céu, seu corpo é magro e pequeno. Ela é linda e sua voz é melodiosa como o próprio vento. – Pode não ser agora, mas um dia, você será de uma delas.

Doriam assente conformado.

- Isso é um fato, vai acontecer em determinado momento, mas porque não podemos ficar juntos? Isso pode levar séculos ainda. – Responde ele, tenso, sua mão desce carinhosamente pelo rosto de Dinda. Ela fecha os olhos como se doesse o que diria a seguir.

- Porque estou apaixonada e nem consigo compreender este sentimento direito... e por você Doriam, não posso ficar com você, sabendo que um dia seu coração pertencerá a Ivy ou a Terna. – Ela soa desesperada e meu coração dói por ela. – Você sabe tão bem quanto eu, que se casará com uma delas quando a hora chegar, isso foi definido por Drakon quando elas chegaram ao reino.

Ele tenta interrompe-la mas ela prossegue.

- Além disso. –Continua ela. - Ivy é uma menina encantadora e, não tenho coragem de fazer isto com ela, sendo que vocês podem se apaixonar e ficar juntos, não posso ficar em seu caminho, eu o amo demais para isso. – Dito isto, ela faz um carinho em seu rosto, fica na ponta dos pés e toca os lábios de Doriam com os dela, antes de se virar e sair caminhando em direção à chuva fria. Doriam permanece onde está com seu cenho franzido.

Meu coração parece pesar uma tonelada, nunca havia me dado conta daquilo e a situação me revolta. Sim, sonhei com o beijo de Doriam, mas não era justo que ele fosse "obrigado" a ficar comigo ou com Terna, sendo que poderia ter outra mulher em sua vida, assim como Dinda, e que está perdidamente apaixonada por ele e abrindo mão deste amor porque havia sido decidido que ele ficaria com uma de nós.

Me escoro pensativa em um pilar daquele grande corredor repleto de janelas absorvendo o ar frio da noite. Vou direto a sala do trono, Doriam está se sentando ao lado de minha mãe. Ravi e Terna conversam sérios do outro lado e meu pai, o primeiro a me notar, fita meu rosto com carinho.

- O que lhe aflige minha menina? – Pergunta ele. Tenho que sorrir, ele sempre nota. Meus sentimentos estão tão confusos e bagunçados naquele momento, mas não iria recuar. Todos olham para mim.

- Quero conversar sobre uma coisa. – Começo insegura. – Na verdade quero que reconsidere uma coisa que você... hum...decidiu sem me consultar. – Os olhos dele brilham divertidos.

- Prossiga. – Ele faz um gesto com as mãos para indicar que está ouvindo e prestando atenção.

- É sobre o meu... hum...casamento. – Ravi e Doriam me olham atentos e se mexem desconfortáveis em suas cadeiras, percebo o olhar de Doriam assustado e quase rio da expressão dele, de certo ele pensa que eu vou contar sobre o beijo. – Não quero me casar com Doriam e tampouco com Ravi, quando me casar, quero ter algo semelhante ao que você tem com a minha mãe e quero ter liberdade para encontrar isso, e quero que eles também tenham essa liberdade. – A insegurança abandona minha voz. – Quero que reconsidere e nos permita amar e sermos amados sem um compromisso pré-estabelecido.

- Isso quer dizer que você tem outra pessoa? – Ele pergunta nervoso e irritado e as paredes se tornam um tom de chumbo.

- Não, apenas que quero ter o que vocês dois tem. – Aponto para meus pais. – E como posso saber ou encontrar se meu destino foi definido?

O silêncio parece durar uma eternidade enquanto meu pai me encara sério. De repente ele abre um belo sorriso e assente, as paredes amareladas refletem sua alegria.

- Minha menina. – Ele diz simplesmente. – Aceito o que me disse, Ravi e Doriam estão liberados de qualquer compromisso com você e se a quiserem de fato, vão ter que lutar para conquistar o seu afeto. – Sorrio de volta para ele, meu coração agora mais leve e permito que ele me acompanhe até a sala de jantar.


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