Capítulo 8 - Ivy

Começar do início

-Quer saber de um segredo, as mulheres sonham com seu primeiro beijo, e o meu foi com um soberano peladão, que sequer sabia que era eu. –Escuto sua risada vindo de um local atrás de mim, minhas bochechas ficam em chamas, e confirmo meus temores ao ver Doriam parado me olhando com a mão na barriga rindo, divertindo-se as minhas custas.

-Primeiro beijo com o peladão?- Ele diz tirando as lágrimas dos seus olhos. –Você é louca...

Fico envergonhada e ele para de rir.

–O que foi? É sério Ivy? Fui seu primeiro beijo?

Aceno que sim, e escuto um "ó" constrangido. Meu rosto é elevado carinhosamente para cima, Doriam e seus olhos cor de vinho me encaram com ternura.

-Permita que eu mude esta lembrança para uma mais agradável. –Sem dizer mais nada ele cobre meus lábios com os seus, sinto o deslizar suave de um beijo de verdade, sua boca é macia e terna, ele envolve delicadamente minha cintura, deixando que eu desfrute deste momento, eu arrisco entreabrir a boca e descubro outro mundo naquele lindo beijo. Nossas línguas se tocam, suas mãos alcançam meus cabelos e acariciam minha nuca. Derreto-me em seus braços. Então tão logo começou, ele para e se afasta.

Quando finalmente abro os olhos estou estupefata, como algo assim, pode ser tão bom? Me aproximo dele, mas ele levanta a mão e colhe a minha com delicadeza.

-Não podemos, ainda não, talvez um dia. –Ele sorri. E meu mundo fica cheio de bolhas coloridas e borboletas. Como nunca percebi o quanto ele é bonito, o quando é carinhoso. Suspiro. –Ei. Nada de se apaixonar.

Ele ri de mim.

-Não sou uma tola como Ventania. –Enfrento ele, ele revira os olhos e ambos olhamos para Terna no mesmo instante. –Droga.

Eu sussurro.

-Está tudo bem...- Ele me diz. –Não se cria caso por expor seus sentimentos, afinal somos isto.

Terna se aproxima tímida e olha para Doriam, me ignorando completamente. Quero alcançar minha irmã, dizer que sinto muito.

-Vamos para seu reino então? –Pergunta ela, enquanto o fita brava. Ele dá os ombros.

Quero ignorar a sensação que me invade. Contudo não consigo parar de olhar a beleza de Doriam, ele é alto, dou em seu peito, e é grande como um guerreiro, coisa que ele é. Seu porte é atlético, seu sorriso é contagiante, seu cheiro é convidativo. Chacoalho a cabeça ao notar o olhar de Terna sobre mim.

-Sim, esperança tem um dever lá. –Fala Doriam, sua voz é áspera porem bela. Então volto a me concentrar, tenho mesmo um dever? Será mesmo? É claro que ele ia pensar isto, afinal sou esperança e se for só uma dor de barriga maluca e agora vamos para o exilio por conta disto. Vou fingir um ataque do coração... droga não morremos. –Vamos então?

Pergunta ele.

-Cla...claro. –Respondo, e Terna me olha e sorri, fico feliz ao ver que ela me notou e pego em sua mão, mas ela recua.

-Ivy... seja mais prudente. –Fala Terna irritada, ela me dá as costas e vejo seus cabelos ruivos dançarem com o vento, assim como seu belo vestido verde. Abaixo o rosto envergonhada.

-Você está andando demais com aquele prudente. –Tento chamar sua atenção, mas ela continua andando. Doriam pisca para mim e segue Terna.

Chegamos ao Exilio. As paredes são escuras e o frio do reino das trevas é sombrio é triste, não consigo entender como Doriam atura tanta dor pois até mesmo o chão barroso é um lembrete da perversão deste lugar sombrio, é com dolorosa surpresa que me ligo aos sentimentos que aqui habitam. Agonia, medo, injustiça... sinto está torrente me elevando a níveis máximos, e a mais, só que não quero sentir. Fico triste, quero me enroscar em um canto e pensar nas tristezas de minha existência, Terna está ao meu lado, pálida. Doriam está indiferente, ele toca no ombro de um semi soberano que nunca vi.

Os Soberanos de GardiaLeia esta história GRATUITAMENTE!