Capitulo 29

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~Joaquim~

Acordei com muita dor no pescoço, olhei em volta me lembrando do acidente.
Téo, Manu e Isa ainda desacordados, saio do carro jogando no chão os cacos de vidro que estavam em meu colo.
—Téo?- vou até a janela de meu melhor amigo, e balanço o mesmo. Ele resmunga e me alívio por ele estar vivo.
Vou até o porta-malas para pegar nossos pertences e sem querer acabo arrancando a porta do lugar, pelo fato de termos batido e tudo nesse carro estar velho.
—Joaquim?- Téo acorda assustado.
–E aí cara!- rio fraco jogando nossas coisas ao pé de uma árvore qualquer.
Téo sai do carro observando ele.
—Como foi que isso aconteceu? Já tá escuro, perdemos muito tempo.- diz.
—É eu sei- respondo baixo- Vamos tirar as meninas dai, do jeito que essa velharia está, é capaz do teto cair em cima delas.- falo e ele concorda indo até Isabela. Ele tira ela do carro e a coloca deitada perto da árvore com as nossas coisas.
Suspiro.
Entro no carro e me aproximo de Manuela.
Observo ela dormido, não tinha reparado o quanto é bonita, coloco minhas mãos em sua cintura e a puxo levemente para mim.
Saio do carro com ela nos braços e a deito delicadamente no chão, ao lado da irmã.
—Está ficando frio, vamos fazer uma fogueira!- fala Téo.
—Tá!- vou atrás dele procurar Madeira para a mesma.
Depois de uns dez minutos catando galhos, lanço uma pequena bola de fogo neles, acendendo a fogueira.
Sento perto da mesma para me esquentar e Téo senta ao meu lado.
—Nossas vidas vão mudar a partir de agora!- comenta ele.- Nunca tínhamos saído da escola e agora estamos em uma missão como essa.
—Vamos conseguir- digo tentando convencê-lo, mas não convenci nem a mim mesmo.
—Tá mas, você já parou para pensar que, seja lá quem for o ladrão dos amuletos, ele pode não nos deixar vivos, que tem a possibilidade de alguém não voltar pra casa?- indaga, e pelo seu olhar posso ver que esta realmente preocupado.
—Téo, eu já pensei nisso tantas vezes desde que colocamos os pés fora da escola, e é óbvio que tem essa possibilidade, mas quando fomos abandonados, eu prometi a mim mesmo que cuidaria de meus irmãos, e apesar de muito tempo ter se passado,  minha promessa ainda é válida. Então farei de tudo pra ficar vivo, pois meus irmãos dependem disso.- digo me lembrando de como nos conhecemos.

~Flash back on~

Parei em frente ao grande prédio, com Felipe, chorando, nos braços e Julia ao meu lado agarrada em minha perna.
—Ju, bate na porta!- mandei mas minha irmã negou com a cabeça e fechou os olhos.- Julinha, eu sei que está com medo, eu também to, mas eu preciso que você seja corajosa agora, preciso da sua ajuda pra cuidar do Felipinho, da nossa família!
Ela soltou-se de minha perna e me encarou com os olhinhos vermelhos, suspirou, foi lentamente até a porta e bateu quatro vezes com a maior força que tinha, em seguida correu até mim abraçando minha perna novamente.
Depois de uns minutos, um homem, saiu vindo até mim.
—Olá?- o homem disse desconfiado.
—Oi, sou Joaquim, eu e meus irmãos, fomos mandados para cá.- disse com falta de coragem, afinal não sabia bem o que estávamos fazendo ali.
—Joaquim? Joaquim Vaz?- perguntou o homem.
Assinto com a cabeça.
—Sou Otávio, o diretor da escola, estávamos te esperando- Otávio sorriu para mim- Presumo que esses sejam Julia e Felipe, estou certo!?- apontou para meus irmãos e eu assenti.
De repente Felipe começou a chorar mais ainda.
—O que há com ele?- Otávio pergunta.
—Hãm, ele tá com fome, minha mãe não amamentou ele antes de viajarem.- respondo.
—Viajarem?- Otávio me olha confuso.
—Sim! Meus pais tinham uma viagem para esse fim de semana e disseram que nós não poderíamos ir junto, então nos mandaram pra cá.- explico.
Ele fica uns minutos em silêncio com uma expressão estranha.
—Ah sim, viagem!.....Hãm, me de ele- pegou Felipe no colo- Julia está com fome também? Venha comigo temos um armário cheio de doces- Otávio esticou a mão para minha irmã que me olhou pedinte.
—Pode ir Ju!- ri fraco, ela comemorou e pegou na mão de Otávio.
—Ah, Joaquim, só mais uma coisa, quantos anos vocês têm?- Otávio virou para trás.
—Eu tenho seis, Julia dois e Felipe oito meses.- falei e ele assentiu adentrado, eu deduzo, a cozinha.
Suspiro aliviado sabendo que passaremos o fim de semana com pessoas gentis.
—Oi...- um garoto de cabelos encaracolados parou ao meu lado.
—Oi...- respondi ele.
—Meu nome é Téo, e o seu? Tenho seis anos também- esticou a mão, sorrindo.
—Sou o Joaquim!- apertei sua mão e correspondi o sorriso.

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