Capítulo 1 - Ravi

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 O dia foi cheio e exaustivo, fazem cinco dias que não consigo dormir direito. Surgiu a grande ameaça de um feiticeiro poderoso em Gardia, e este ser doentio me manteve ocupado durante toda a semana. O feiticeiro veio de outro mundo, foi expulso de sua antiga casa e migrou para Gardia, para que assim pudesse atormentar os Gardianos. Ele era um ser terrível e escorregadio, demorei em encontra-lo e destruí-lo, e quando encontrei não tive piedade. Sou o soberano da coragem, filho da Justiça e o Equilíbrio, cabe a mim ser temível. Pobre daqueles que não temem os filhos do Supremo Soberano.

Finalmente chego em casa e a única coisa que almejo é dormir durante três dias, o cansaço alcança até seres poderosos. Ouço o som de ventos fortes ele chia seu canto angustiante entre nós, anunciando a tempestade que se aproxima, trovões cortam o céu da noite abrindo suas clareiras entre nosso reino e dos Gardianos, o cheiro de chuva invade minhas narinas e eu respiro aquele odor reconfortante. As paredes do reino começam a se tingir de vermelho, então reviro meus olhos, ninguém quer saber quando seus pais fazem amor, mas não a como evitar, meu Supremo pai é como o próprio coração deste mundo e as cores que serpenteiam nosso reino são as mesmas que habitam em seus olhos. Então ignoro as paredes, e outra vez dou de ombros para estes detalhes, enfim começo minha caminhada para meus aposentos.

Adormeci no momento em que coloquei a cabeça no macio travesseiro.

Desta forma ele não percebe a pequena criança que invadiu seu quarto, ela tem cinco anos agora, seus pés estão descalços e usa uma camisola longa e infantil da cor branca repleta de coelhinhos cor de rosa. A pequena cria de divindade se esgueira pela escuridão, arrastando um coelho enorme de pelúcia, é patético ver tal cria poderosa com seus olhos dourados arregalados de medo olhando desconfiado por sobre o ombro. Ela sobe com dificuldade na cama alta, geme por ter dificuldade em alcançar seu obtivo, enfim consegue, e sorri vitoriosa. A pequena Ivy puxa seus longos cabelos para trás, eles agora alcançam sua diminuta cintura, os fios são tão prateados que se assemelham a um espelho, é sinistro ver os moveis, paredes e seu enorme coelho de pelúcia refletido ali, e quando o céu é cortado por um raio a pequena e assustada criatura levanta as cobertas e engatinha até o travesseiro do guerreiro Ravy.

Acordo sobressaltado, quem é o suicida que invade meus aposentos? Viro-me na direção do intruso, apenas para ver minúscula pestinha. Ivy me fita com os olhos assustados e seu encardido coelho cobre a ponta de seu pequeno nariz, sua mãozinha pega a minha com rapidez e a puxa para si exigente. Ela suspira quando com as duas mãos aperta meus dedos e adormece.

Sou tomado por uma frustração e raiva. Se a tirar daqui ela vai chorar como sempre acaba fazendo, se a levar até Drakom e Fairy vou perturbar sua intimidade. Fico esperando até que ela realmente esteja adormecida, aborrecido por ela perturbar meu sono, pego seu frágil e irritante corpo nos braços e a levo até seus aposentos, em silencio. No momento em que a coloco na cama um trovão ressoa alto pelo reino, ela imediatamente abre os olhos arregalando-os assustados e percebendo onde está. A irritante criatura me olha com acusação. Já vi esse olhar antes, percebo surpreendido, como esta pequena cria de divindade, consegue me fitar como se fosse a própria justiça?

-Você me protege! –Ordena ela com aquela vozinha infantil, então segura minha mão com força. Ela volta a falar. –O coelho tem medo de ficar sozinho.

-Você tem medo de ficar sozinha. –Acuso.

-Não é verdade! É o coelho! –Ela grita levantando rápido e batendo no meu peito. Suspiro e a coloco debaixo das cobertas enrolando os cobertores fortemente em seu corpo, ela não se meche. –Me solte Ravi, do contrário vou contar para a mamãe que vi você fazendo algo feio, não pensei em nada ainda, mas se me deixar assim enrolada terei muito tempo para pensar.

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