Capítulo 3

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— Me deixa ver se eu entendi direito — disse Eliza, descansando a cabeça na parede. — Aqueles caras te emboscaram porque você humilhou um deles?

— Não posso negar... — Bianca coçou o queixo e mostrou um sorriso torto.

— O que você fez? — Eliza não deixou passar.

— Bem... Sendo mais precisa, se realmente precisa saber, eu limpei o chão com ele na frente dos amigos e familiares durante a graduação de faixa dele. — Eliza notou que não havia qualquer arrependimento na voz da ruiva.

A garota imaginou Bianca lutando com um daqueles caras sem rosto no meio de uma multidão torcendo por ele. Embora não soubesse muito sobre ela, Eliza conseguia visualizar a ruiva fazendo aquilo com um sorriso no rosto. Mas tem algo errado, ela soube.

— E por que você fez aquilo?

— Ele traiu minha amiga. — O sorriso sumiu de seus lábios. Ela fechou os olhos e respirou fundo. — E não foi tudo. Também traiu muitas garotas. Aquele idiota me tira tanto do sério que não me arrependo de nada. — Ela riu, a raiva sumiu do rosto, e girou na cadeira de rodinhas no quarto de Eliza, feliz como uma criança orgulhosa do que fez.

Depois que concordaram conversar, Bianca sugeriu uma lanchonete ou restaurante próximos, mas Eliza rejeitou. Ela duvidava que a conversa acabaria nos poderes dela, e embora mal fosse falar qualquer coisa, a garota preferia não falar em público. Além do mais, ela também não queria que outras pessoas a vissem com a menina mais popular da escola. Não vai mudar nada, mas prefiro evitar a dor de cabeça, pensou ela na hora.

No fim, Eliza sugeriu seu próprio quarto, onde se sentia segura e teria alguma vantagem. Por algum motivo, quando disse aquilo, Bianca riu e corou, mas concordou imediatamente, murmurando "cedo demais, mas se for você, não ligo de conhecer você melhor lá".

— Aposto que nunca pensou que eu faria esse tipo de coisa, não é? — perguntou Bianca, arrastando a cadeira para mais perto da cama, olhando Eliza com grandes olhos brilhantes. — Não se encaixa muito bem com a minha reputação.

A garota não conteve a risada. Fazia tanto tempo desde que rira assim que chegou a ser estranho, mas Eliza se sentiu mais leve quando parou.

— É, não mesmo. Mas não vai dar problema? Tipo, com seus pais e tal, é meio...

Bianca fechou os olhos, pressionou os lábios e balançou a cabeça, movendo o dedo indicador de um lado para o outro ao mesmo tempo.

— Não, não, não. Agora é minha vez.

Elas chegaram na casa de Eliza e foram para o quarto. Após um momento em que Bianca observou o quarto e fez pequenos comentários aqui e acolá, a garota começou a questionar sem cerimônia.

A ruiva respondeu a primeira pergunta sem problema, mas quando Eliza a pressionou com uma segunda, Bianca recusou-se a responder, dizendo que era sua vez de perguntar.

— Então pergunte — disse Eliza, suspirando e irritada.

— Conte-me — disse Bianca, repentinamente séria. — Como viu aquele cara com o bastão?

Então ela finalmente perguntou, pensou Eliza, apertando os lábios. As perguntas da ruiva até então não eram nada além de coisas bestas. Como o que Eliza gostava, como era o relacionamento com os pais, se ela tinha namorado ou gostava de alguém. Já que não viu motivo para mentir, Eliza respondeu honestamente, mas foi tão estranho que usou uma pergunta para saber por que Bianca se interessou naquilo.

A ruiva disse que era o começo do relacionamento delas.

Eliza moveu a língua pelos dentes, pensando.

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