Capítulo 70 - Vingança

43 7 4
                                                  

Jessica olhava os campos que ficavam rapidamente para trás enquanto o trem seguia seu ritmo

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.

Jessica olhava os campos que ficavam rapidamente para trás enquanto o trem seguia seu ritmo. Em meio ao som dos vapores e engrenagens ela também ouvia a voz da irmã que continuava a contar a história de vingança - O homem achou uma caverna, e morou nela, longe de todos por milhas e milhas, enquanto os estrangeiros invadiam seu país e sitiavam cidades, clamando por vingança!

Vingança pensou Jessica, que agora sentia o estrangeiro desejo que a consumia a partir de um pequeno buraco no peito. Ela sonhara em ser uma mulher zelosa que trataria bem ao esposo, que teria muitos filhos, cachorros, visitaria os pais a cada semana, cantaria no coral da igreja e seria uma professora dedicada. Fazia tudo sempre com muito capricho. Sua caligrafia enfeitava cadernos e sua voz linda era elogiada. Quando sentia raiva, continha-se e era o tipo de menina que dormia todas as noites com um sorriso no rosto depois de ter beijado o pai e a mãe.

A lembrança dos homens esbofeteando o pai que pedia misericórdia perturbou sua memória. Era como um sonho. Na verdade não estou aqui pensou ela. Não era a primeira vez que vivia algo assim, em que estava acordada mas pensava estar sonhando e quando percebia que não era um sonho, assustava-se com medo de simplesmente deixar o corpo cair - Imagine se eu simplesmente deixar meu corpo aqui achando que posso voltar a dormir? E se eu estiver descendo uma escada?

Não, não estou sonhando!Pai! Pai! - pensou enquanto lágrimas escorriam silenciosamente em seu rosto e ela revivia o momento mais angustiante de sua vida.

O pai sempre foi gentio com todos e não tinha inimigos. Deus não deixará que algo de mal aconteça pensou em meio aos seus gritos e as risadas dos homens sujos que seguravam sua mãe. Zuniam como abelhas enquanto a irmã também chorava e gritava. Isto é de verdade, de verdade Jessie! Acorde Jessie!

Viu o pai cair com dois tiros no peito e sua mãe ser arrastada para dentro da casa. Tirem as mãos da minha mãe! Com as palmas das mãos grudadas no chão viu lágrimas molharem a terra. Lembrou do pensamento que rotineiramente tinha de que em algum momento, algo muito grave aconteceria. Estou sonhando, só posso estar sonhando. Acreditou nisso e deixou o corpo cair. Caiu lentamente como se não houvesse chão e nem amanhã, caindo no infinito sem cor, entorpecida.

Eu vou fazê-los sofrer pensou sentada na sujeira. Ouviu outros tiros, viu um homem derrubando os monstros com tiros certeiros. Deus mandou seu anjo nos salvar!? Não sabia. Não sabia bem o que era real enquanto cravava as unhas compridas na parte interna de seu antebraço com tanta força, como se isso fosse salvar a sua vida. Quando viu o sangue quente escorrer entre as unhas sentiu um ardor e sorriu, concentrando-se na dor. Aquilo sim era real. Já conhecia aquele tipo de dor, do tipo que abre um buraco e é familiar. A porta da casa se abriu bruscamente.

- Seu filha da puta! - disse o monstro sem calças que segurava sua mãe.

- Vejo que sua mãe não lhe ensinou boas maneiras. Vamos, largue a mulher e talvez você viva o suficiente para lavar essa sua boca suja - disse o anjo.

- Não era para eles morrerem - disse o homem.

O sangue da mãe respingou pelo chão enquanto e isto foi o fim. A cabeça de Jessie estava cheia de pensamentos quebrados e que ela não podia consertar e em seu peito a fúria ganhou um nome.

Enxugou as lágrimas, levantou-se, pegou um revolver que estava sobre o corpo de um dos monstros mortos.

- Por que fez isto com meus pais, senhor Anderson!? - gritou a irmã.

Jessie avançou segurando a arma com a duas mãos na altura dos ombros e disparou acertando o último monstro entre os olhos.

O que eu me tornei? pensou olhando a sua volta. Um império de sujeira e mentiras.

- ... então o homem arrebentou as cordas e pegou um osso do chão e enfrentou os estrangeiros - Jessie olhou para o lado, ouvindo a voz da irmã que continuava a contar a história.

De algum modo ela estava naquele trem indo para um lugar distante onde pudesse recomeçar. Talvez isto lhe fizesse sentir algo. Mas a fúria em seu peito tinha um nome e não ia embora. Apertou suas unhas contra a carne do braço.

- ... o homem matou a muitos, um a um. Naquele dia, muitos corpos ficaram pelo chão. A coragem dos compatriotas deste homem começou a crescer a partir daquele dia, e eles o seguiram em batalhas. A cada batalha o país ficou mais forte e confiante e foi assim por mais de meio século, até que um dia o homem parou. Parado, apaixonou-se pela estrangeira chamada Delilah, a qual foi sua perdição. Ela conspirou contra ele até que o capturaram, o cegaram e o exibiram como troféu em um lugar chamado Templo de Dagon. Então o homem pediu a Deus uma última vingança, e nos seus últimos minutos de vida em meio a escuridão da cegueira, ele empurrou as pilastras do templo, fazendo com que o teto caísse sobre as cabeças de todos.

[legenda: The Death of Samson (Jud

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.

[legenda: The Death of Samson (Jud. 16:25-34) - Gustave Doré 1866]

Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora