BEIJO.

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Então Lisa fez o que jamais deveria ter feito. Ela se inclinou na minha direção e falou a dois dedos de distância da minha boca:

- Vá procurar.

Todo o meu juízo morreu naqueles dez míseros segundos. Ver a boca dela se mexer, tão perto da minha, me fazia querer tirar sua roupa e jogá-la na cama do meu lado. E eu tenho quase certeza que ela teve a mesma vontade, pois demorou bem mais do que deveria naquela posição.
Respirando bem fundo e fechando os olhos por alguns segundos, ela se permitiu ficar ali. Encostei minha mão na nuca dela, na tentativa de trazê-la pra mais perto.

- O que você... - Ela tentou falar, mas as palavras não saíam.
- Lisa... Eu preciso... - Minha respiração começou a ficar ofegante e eu queria beijar aquela menina até não aguentar mais.
- Do que?

Então meu senso voltou. Ela não me conhecia, eu não a conhecia, qualquer coisa que eu tentasse fazer naquele momento arruinaria tudo. E eu não podia, em hipótese alguma, arruinar tudo.
Respirei bem fundo antes de abrir os olhos e falar:

- Fazer seu suco.

Levantei da cama e sem olhar pra trás, deixei Lisa no quarto e fui para a cozinha.
Me encostei na parede e fechei os olhos com força por alguns segundos.

- Tem suco de que?

Lisa entrou na cozinha pequena, totalmente restaurada, como se nada tivesse acontecido nos dois minutos anteriores.
Abri a geladeira e as únicas frutas que encontrei foram morangos.

- Morango?
- Meu preferido. - Ela sorriu. - Dá aqui, deixa que eu corto.

Ela retirou os morangos da minha mão e passou a abrir todas as gavetas da cozinha procurando por uma faca. Quando achou, começou a corta-los, enquanto eu colocava água e açúcar na jarra.

- Então quer dizer que ele é seu irmão? - Perguntou, ainda cortando.
- Sim. Você sabe quantas colheres de açúcar são necessárias? - Tentei desconversar.
- Quantos anos de diferença?
- Quatro. Eu te fiz uma pergunta.
- Você me disse que ele era seu amigo.
- Eu não preciso te contar cada detalhe da minha vida, Lisa.

Assim que pronunciei o nome dela, percebi que tinha sido um verdadeiro babaca. Achei que ela reclamaria ou me bateria ali mesmo mas ela apenas respirou fundo e abaixou a cabeça:

- Eu só estou perguntando...
- Eu sei, me desculpa, mas é que...
- Você não fala da sua família? - Ela me interrompeu.
- Isso.
- Posso saber o motivo?
- Se eles não falam de mim, eu não falo deles.

Nesse momento, Gabriel entrou na cozinha com o celular de Lisa na mão:

- Essa merda não para de tocar e eu estou tentando dormir, irmãozinho. - Vociferou.

LISA [COMPLETO - EM REVISÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!