Capitulo 1

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—Jeffrey, você vai ter que escolher, ele ou nós?

—Por favor, Elisa, não me faça escolher, você sabe que eu amo esse garoto como se fosse um filho, eu sempre cuidei dele e não vai ser agora que vou deixá-lo!

—Parece que você já fez sua escolha. Shavanna, querida, dê adeus ao seu pai. —Olho tudo assustada, eu não estava entendendo nada do que acontecia, porém, mesmo assim corro para os braços de meu pai e sinto seu abraço apertado. —Vamos! E lembre-se sempre, Jeffrey, você fez sua escolha, foi você quem nos deixou.

Dias atuais

E cá estou eu de volta, anos depois de ter ido embora. Olho tudo ao meu redor, nada aqui havia mudado, continuava exatamente do mesmo jeitinho que eu me lembrava. Subo no banco da praça e grito:

—SHAVANA VOLTOU! —Grito e todos que passam por ali param pra me olhar, já se passam das nove horas da noite e tudo por culpa do maldito ônibus que atrasou.

Desço do banco da praça, sorrindo da cara de desaprovação das pessoas, pego minha mala e me dirijo para a mansão que um dia eu chamei de lar encontrar com meu "queridíssimo pai".

Chego na porta alguns minutos depois e toco a campainha e para minha surpresa quem abre a porta é um homem elegantíssimo, que nem ao menos se dá ao trabalho de me olhar direito.

—Finalmente você chegou! Já estava ficando irritado e estava pegando o telefone pra ligar pra Paola e reclamar.  —O homem fala sem parar e eu não entendo nada com nada e, finalmente depois de falar e reclamar da vida, ele me olha de cima a baixo com um sorriso cínico no rosto, já não gostei dele, nem um pouquinho! —Agora, suba, vire à direita e entre na segunda porta á esquerda, tire sua roupa com exceção da calcinha, essa eu faço questão de tirar. —Ele continua com seu sorrisinho cínico e chega perto da minha orelha, dando uma mordidinha que ele pensa ser sexy, me controlo para não o socar. —Com os dentes. —Completa se afastando.

Entro em seu jogo, quero ver até onde ele vai e de quebra irei lhe dar uma lição.

Faço tudo que ele mandou, subo as escadas e entro no quarto que ele se referiu e devo deixar bem claro, que quarto! Uma cama gigante, um closed dos sonhos, um banheiro com hidromassagem, eu nem sabia que podia colocar uma hidromassagem em um quarto comum, se bem que de comum aqui não tem nada, e várias outras coisas que eu não fazia ideia de pra que servia. Sento na cama e olho tudo detalhadamente e então meus olhos param justamente em um jarro com flores, pequeno e muito bonito, tenho uma ideia na hora, pego o jarro e tenho vontade de ri, seguro o riso e vou para trás da porta esperando o cafajeste entrar, segundos depois, ele abre a porta desabotoando a camiseta e, é bem nesse segundo que meto o jarro em sua cabeça e ele cai no chão inconsciente. Puta merda, matei o cara! Coloco a mão na boca e pulo por cima do corpo do cara e grito da escada por ajuda, um cara aparece assustado ao pé da escada. Era ele, Jeffrey, ele não havia mudado nada, mesmo com todos esses anos longe, eu ainda lembrava de seu rosto.

—O que houve? —Jeffrey pergunta subindo cada degrau desconfiadamente

—Você não está me reconhecendo, não é?

Ele me olha e vejo uma ruga em sua testa

—Não, eu deveria?

Dou uma risada seca, isso era mesmo inacreditável

—Um pai de verdade sempre lembra dos filhos.

—Ah, Deus! —Ele sobe a escada correndo e segura meu rosto. —Shavanna!

—Exato! —Digo com um sorriso irônico

—Senti sua falta. —Ele diz me abraçando

—É mesmo? —Me solto do seu garre. —Engraçado que você nunca foi me visitar...

—Por favor, Shavanna. —Ele se afasta passando a mão na cabeça. —Não vamos discutir.

—Claro que não vamos, até porque temos que socorrer um imbecil que tentou me levar pra cama.

—Imbecil? —Ele pergunta confuso, me olhando como se eu tivesse dez cabeças no lugar de uma só. —Levar pra cama?

—Sim. —Afirmo. —Ele está logo ali. —Aponto a porta do quarto que o imbecil ainda estava desmaiado. —Bom, eu achei que uma pancadinha na cabeça não ia fazer mal algum, mas, acho que foi um pouquinho forte demais, não queria matar ele, só dar uma lição nele.

—Você bateu nele? —Jeffrey corre pro quarto.

—Só meti o jarro na cabeça dele, acho que ele morreu. —Jeffrey fecha a cara pra mim e corre pro lado do cara, levanta o estranho e o coloca na enorme cama.

—Pegue aquele vidrinho de álcool na estante. —Jeffrey aponta e eu imediatamente pego o vidrinho e entrego em sua mão, o mesmo tira um paninho do bolso e molha com o álcool e coloca embaixo do narigão do desconhecido e depois de alguns minutos o mesmo desperta tossindo.

Assim que abre os olhos e me vê aponta o dedo em minha direção.

—Você! —Ele levanta de uma vez da cama. —Fique longe de mim!

Jeffrey olha pra mim com cara de desaprovação

—Gregory, essa é a Shavanna, minha filha.

Gregory olha para meu pai irritado

—Sua filha tentou me matar! —E ele continua o mesmo garoto dramático de que eu lembrava, foi só uma pancadinha de nada!

—Calma ai, cara! —Reviro os olhos, cruzando os braços sob os peitos e encostando na porta. —Eu só fiz isso porque você queria me levar pra cama!

—Eu pensei que você fosse uma prostituta, porra!

Como? Desencosto da porta, mas agora ele passou de todos os limites, parto pra cima dele, porém, Jeffrey me segura

—Repete se você for homem!

—Ela é louca! —Ele se afasta, ainda gritando. —Fique longe de mim!

—Com todo prazer, cretino!

—PAREM AGORA, OS DOIS! —Jeffrey grita nos assustando. —Shavanna, me espere lá embaixo e Gregory deixe-me ver sua cabeça.

Reviro os olhos e os deixo para trás, como sempre meu pai estava mais preocupado com o filho postiço do que com a filha que não vê há anos.

Me distraio olhando as coisas espalhadas pela sala e levo um susto quando ouço a voz de Jeffrey

—Shavanna, você vai ficar no quarto da camareira, ela está de férias esse mês e então nesse meio tempo você poderá procurar um emprego e arrumar outro lugar para ficar.

—Você só pode estar de brincadeira!  —Digo indignada. —Eu não irei dormir sob o mesmo teto que aquele cretino!

Jeffrey solta um suspiro cansado

—Bom, se você tiver um outro lugar melhor pra ficar, sinta-se à vontade. —Olho indignada pra cara de meu pai, não falo nada. Droga, eu não tinha ninguém aqui e pior, eu estava completamente sem grana, esse mês será dureza... Não para mim e sim para o garotão mimado!

Domando a Fera - Livro 1 (Degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!