Capítulo 2 - Mapas, Namorados e Afins

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Jess estranhamente se calou. Até parecia séria, mas no fundo estava fulminando de raiva. Quem era aquele garoto na fila do pão para falar com ela assim? Ela apenas se preocupara, oras.

Talvez não fosse por mal, mas quem disse que Jéssica agia com razão quando estava brava? Qualquer pequena irritação quase lhe custava a vida quando estava dirigindo. Quase chocou Amélia contra a traseira de um caminhão cargueiro. Conseguiu ultrapassa-lo quase esfregando a lataria da Kombi no caminhão, cinco centímetros e meio salvaram a de um grande prejuízo.

- VOCÊ É LOUCA?! - Exclamou Gus, sentindo o coração quase saltar pela boca.

Jess virou o rosto lentamente. Um enorme e forçado sorriso estampava-se em seu rosto, de modo a combinar com o olhar de psicopatia.

- Não. Eu, louca? Estou ótima. - Exclamou forçando-se a tentar falar e sorrir de jeito meigo. Obviamente não estava dando nem um pouco certo.

Gus já havia feito uma nota mental sobre Jéssica e vans Volkswagen: Nada de irritá-la quando estivesse dirigindo uma.

Esta não era a primeira e, definitivamente, não seria a última vez que Jess fazia algo do tipo. Era uma pessoa terrívelmente instável, e uma motorista perigosa. Não que dirigisse mal, quando estava calma era boa motorista, mas quando estava brava... Ai de quem estivesse por perto.

- Devia tomar cuidado com o trânsito. - Gus criticou, sorrindo de forma provocativa.

- Devia tomar cuidado com as merdas que fala. - A garota retrucou.

Desta vez, o garoto teria que usar cadeira de rodas, tamanha a patada que levara.

Sentiu seu rosto arder, mas apenas desviou-o para o lado da janela, passando os dedos entre os cabelos ondulados.

- O que disse? - Perguntou, se fazendo de desentendido.

- Não se faça de sonso, você me ouviu bem. - Ela quase berrou irritada.

Para o garoto era quase impossível lidar com ela, tudo a irritava. Ele, que achava-se tão calmo já estava ficando cheio disso.

Novamente, a vontade de sair dali foi grande. Infelizmente, não era possível. Ele precisava ir a Taureana, não estava em condições de escolher o que lhe agradava ou não.

- Apenas... - Ela deu uma breve pausa, respirou fundo a ponto de se acalmar e continuou - Apenas me ajude a ver o caminho, ok? - Jess baixou a cabeça e suspirou. Tentar ser legal as vezes cansa.

- Tem GPS? - Ele perguntou em vão. Estava mais que óbvio que alguém que gostava de tranqueiras como Amélia não era lá muito fã dos tempos modernos.

- E pra quê eu iria precisar? Temos o bom e velho mapa de bolso.

Gus analisou aquela coisa enorme cheia de linhas rabiscadas tapando o painel. De bolso, hãn? Se perguntou irônico.

- É só seguir os risquinhos e olhar os desenhinhos chamados leee-traaas. - Falou muito lentamente, como se ele fosse algum tipo raro de imbecil.

- Muito obrigado, mas eu acho que sei usar um mapa. - Retrucou, puxando o papel para si.

Agora, porém, olhando aquele amontoado de linhas vermelhas, azuis e pretas e inúmeros nomes, se sentiu confuso. Ok, talvez um mapa não fosse tão fácil assim como havia imaginado.

-Ok, estamos em Oasis, certo? - Ele disse, como dominasse completamente o que estava falando.

- Certo.

- E aí... Precisamos chegar em Taureana?

- Aham - Falou Jess, já com voz de tédio.

- Aí nós temos que seguir a... Estrada? - Falou dando de ombros. Aquilo pareceu mais ridículo do que quando havia pensado.

AméliaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora