O amor na soleira da porta

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Desde que o homem conta histórias exalta o amor. Rendemos a arte, a vida e a história ao amor, essa palavra de sentido subjetivo que une a humanidade e dá direção à caminhada de todos nós.

Que se perceba o amor como um ato de fé, como algo por quê viver, e não somente na relação entre as pessoas.

Mas durante os dias que costuram a vida na Terra muitas são as vezes em que caímos, descrentes no amor e na vida. Cremos que estamos sozinhos e que o amor é para os outros.

Nessa celeuma de origem superficial abrimos a porta de nossa casa e só vemos a rua. Andamos e só temos uma direção. Paramos, mas é só o corpo que para. Se abríssemos a porta com os olhos encharcados de amor veríamos que o verdadeiro amor está sempre na soleira de nossa porta, à espera de um sorriso para entrar.

Mas amar o quê?

O amor não pode depender do outro. Assim como também não pode esperar, amor é urgente e requer rigor nisso. Faz toda a diferença abrir a vida inteira para o amor ou somente amar alguém. O amor exige de nós algo bem simples: permitir-se, deixar-se, libertar-se. Liberdade. Ele só vai existir plenamente se houver liberdade.

Liberdade de ação, de pensamento, de palavra, de vida. Sei que parece difícil compreender isso pela nossa cultura ocidental que prega o amor como uma prisão, mas vale, no mínimo, o exercício de conhecer o amor na sua totalidade.

Vá até a porta. Abra-a. E deixe-a aberta.

© Dan Porto

www.danporto.com

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