O encanto dos encontros

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Que encanto há nos encontros? Será a efemeridade destes, quando característicos de um mundo utilitário e em mutação? Ou será a total falta de controle sobre todos os aspectos que os envolve, o latente poder do que virá a acontecer?

A singularidade envolvente de cada contato com qualquer ser vivo nos leva, em geral, a esperar algo, a antever as coisas, a "enquadrar" o ser, a fala, os gestos em algum espaço de nossa mente que abrigue conhecimento e, ora, nos dê norte e com isso, nos inclua. O que de fato temos dificuldade em exercitar é desprender-nos de nós mesmos, pulverizarmos nossas intenções, não esperar, vivenciar ao invés de analisar. Acredito que o desprender-se de nós mesmos nos levaria a um estado de plenitude com o outro que viria a favorecer o contato. Isso envolve concentrar-se. Concentrar-se no outro, no aceitar o outro, no permitir livremente o outro em mim.

Isso é o avanço do meu amor por mim mesmo; quanto mais amo a mim em singularidade mais me possibilito amar o outro em sua singularidade. Quando me coloco cheio de intenções falseio os sentidos, me decepciono, posso desagradar ou ser desagradado, mas ainda assim a intenção permanece em meu corpo, na sensação de fracasso ou exclusão. É só na libertação do meu ser, no pleno vigor de meu ser desfragmentado que reside a amplidão sensorial, as emoções viscerais e verdadeiras e, por isso, a onipresente sensação de realização, entrega e amor a cada encontro com o outro.

A ausência de intenções ao encontrar permite o instante de intimidade onde os dois se entreolham e num passar curto de tempo decidem, juntos, o caminho que tomarão. O seu. O meu. O nosso. Outro caminho que nos leve até lá. Outro caminho que nos leve não sabemos bem onde. O importante é a decisão unânime de por onde seguir, o acerto consciente e espontâneo de dois corpos que em breve se entregarão ao estado sem limites, ao espaço de criação livre.

© Dan Porto

www.danporto.com

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