Criar o viver

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Viver requer uma intensidade tão forte que tudo abaixo disso deixa de significar vida e nos joga em tédio ou marasmo. A vida é uma flor, plantada ontem e podre amanhã. Não há novidade nisso, o que há é que só aprendemos o que significa passado e presente quando eles vazam de nós, é quando se conclui que viver é sentir totalmente cada milésimo de segundo, em cada célula do corpo e na plenitude do espírito.

É preciso dizer isso agora porque é agora que está a fazer sentido e pode ser que se houver amanhã nada se encaixe no pensamento ou na emoção. Entender o que é para sempre e o que passa é algo que chega com o andamento da vida, com a observação das pessoas e de como nos relacionamos com elas, e que não somos capazes de nos impedir de viver, de nos boicotar por qualquer que seja a razão. A vida precisa ser maior mesmo que o amor, e será, na medida em que o amor for o norte, o caminho, o meio e o fim.

Viver implica assumir-se como seja, na pessoa, no desejo, na crença e na infinita liberdade de mudar. O livre arbítrio também toma sentido apenas quando viver significar alinhar-se com a verdade, e enquanto essa verdade não for autêntica, mesmo que para encontrá-la tenhamos que nos virar do avesso, todas as decisões e todos os passos nos conduzirão ao erro, ao abismo, à tristeza, à depressão, à cólera.

A dois ou sozinho, viver é uma decisão individual. E quando decidida, a sustentabilidade do eu é mais importante do que o resto, assim como não há o topo da montanha sem uma base. A realidade não deve ser entendida como isso que os olhos veem e isso que aparenta ser um mundo. Realidade é algo mais forte que eu mesmo, é intrincado sistema de ligações que se falhar, para, e a falha que o livre arbítrio causou precisa ser corrigida para que o eixo se reencontre e a vida siga.

Que realidade e vida andem juntas, pois aí sim o verbo viver estará de fato sendo conjugado!

© Dan Porto

www.danporto.com

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