Capítulo 20 - Na alegria e na tristeza

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O final de semana termina, a semana começa e o assunto discutido no sábado vira tabu entre nós dois. Não voltamos a conversar e os dias da semana vão passando como se nada tivesse acontecido.

Na tarde de quinta-feira, sinto-me mal com algo que comi e vou para a casa da minha mãe.

Ela me prepara um chá. Não quero dar trabalho nem preocupação, mas como sempre, a dona Angelina sabe das coisas:

– Vamos lá filha, diga o que está te afligindo. Vai contando logo.

– Não tem nada mãe. Que mania...

– Olha, minha filha, você poderia me poupar o trabalho da inquisição? Sei quando há algo errado com cada um dos meus filhos, e não sou feita de vidro. Sofri um baque com a morte do seu pai, mas ainda estou viva, apesar da dor que sinto, e posso ser um porto seguro para vocês, como sempre fui. Esconder as coisas de mim só vai me fazer sentir pior.

– Ah, mãe...

Não consigo dizer nada, deixo as lágrimas rolarem, e quando me acalmo, conto tudo a ela. Sei que não é certo despejar tudo em cima da minha mãe, mas sinto-me muito melhor em desabafar com ela.

– Minha querida, quando me casei com o seu pai, antes de vocês nascerem, viajei com ele para várias partes do Brasil, sempre acompanhando meu marido. Afinal, mulher de militar não tem muita escolha... Demoramos cinco anos até termos o Marcelo, porque eu não queria que ele nascesse fora do Rio. Imagina que bobagem a minha...

E continua:

– Vocês ao se casarem, assumiram o compromisso de seguirem um ao outro, e seu marido não tem escolha neste momento. A coisa mais importante que vocês têm é o amor, você é jovem, talentosa, e vai conseguir consolidar sua carreira aonde for. E quanto a mim... Vou ficar muito bem, posso garantir. Tenho a sua avó por aqui, e a Das Dores comigo. O Enzo e a Ludmila irão morar aqui após o casamento, fiquei sabendo ontem, portanto, não estou sozinha. É claro que vou sentir sua falta, mas vou adorar passear em Miami!

– Mãe, você faz tudo parecer tão fácil! O problema agora é convencer o cabeça-dura do Edu a aceitar.

– Então não perca mais tempo aqui, filha, vá conversar com o seu marido!

Abraço a minha mãe e vou para casa decidida a conversar com o meu amor.

Quando ele chega, à noite, vejo que está esgotado, seu semblante está tenso e ele parece muito desanimado.

Convido-o a jantar no restaurante japonês, perto da nossa casa. Ele não quer. A coisa está feia. Nunca vi meu cavaleiro de metal recusar comida. Ele diz que está sem apetite. Vou até a cozinha e preparo uma salada para nós. Comemos em silêncio. Não sei por onde começar a conversa, mas preciso dizer a ele o que penso e como me sinto.

Quando vou começar a falar, o telefone dele toca e ele se levanta para atender. Vejo o meu Edu exasperado, estressado, gesticulando e discutindo com alguém do outro lado da linha. Ele anda de um lado para o outro e discute por causa de um problema num contrato com um patrocinador do jornal. Resolvo adiar a conversa. O mar não está para peixe. Deixo que ele se acalme.

Ele vai para o quarto e volta todo paramentado para andar de moto.

– Não acredito que você vai sair de moto nervoso desse jeito. – Digo.

– Por favor, linda, preciso sair um pouco, pensar, e só andando de moto sei que vou conseguir.

 –Pensei que eu tivesse as ferramentas para te acalmar. Pretensão minha...

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