Capítulo 51 - 8 de agosto (Pedro)

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8 de agosto de 2016

Meu estimado caderno,

Ao longo destas semanas tenho-te escrito muito, a um ritmo que nem eu julgava ser possível. Conheceste-me. Conheceste o teu dono gabarolas que agora, ao recordar aquelas páginas passadas, só se entristece. E não numa maneira negativa. Nada disso! Mas descobri o quanto cresci só ao escrever-te. Ao tentar arranjar palavras para conseguir falar contigo.

No início era bastante complicado. Confesso-te que demorava minutos até saber como te saudar. Como escrever o que sentia e, no final, como fechar a entrada. Como me despedir... Não sei se estás a compreender bem o padrão inerente ao que te disse... Se não estás, é normal. Eu quase que também não o estou. Tenho o cérebro entorpecido de emoções que julgava não existirem. E não são só emoções. São também os pensamentos. As vontades que tenho. Os desejos...

Não sei se alguma vez fui bom a descrever o que sinto, mas preciso de o fazer. Ou melhor, preciso de o TENTAR fazer...

Não sei se te sou capaz de descrever a noite de ontem. A noite que, de tão significativa, só me deixou escrever-te hoje.

Ontem beijei-a e soube tão, mas tão bem. Tê-la nos meus braços. Sentir o seu perfume doce, a sua respiração a eriçar-me os pelos da barba rala e, por fim, sentir o abraço que as suas mãos deram às minhas. As nossas línguas dançaram uma com a outra, como se conhecessem os movimentos uma da outra. Como se outrora se tivessem encontrado...

Mas sinto que não o deveria ter feito. Deveria ter esperado, não devia? Roubei-lhe um beijo quando prometera que não o faria.

Mas merda para isto. Soube tão bem. Estávamos a ficar com o tempo tão escasso com o aproximar do novo ano letivo. Foi o momento certo, não foi? Nós os dois, sozinhos na sala, a ver um dos nossos filmes favoritos e... e ela aninhada em mim. O seu peso sobre o meu corpo. E o calor... ui... Não um calor desconfortável, nada disso, mas era como se fosse verão. Como se ELA fosse o meu verão. O calor que me faltava. O calor que derretera toda a arrogância que ganhara ao longo dos últimos anos com a entrada para a universidade.

Mas, diário, eu agora percebo. Eu agora compreendo. E agora conheço-me! No fundo, sou um tolo apaixonado que não consegue viver mais tempo afastado da sua miúda. Aquela que me inspira. Aquela que até teve o poder de me levar a pensar sobre o meu futuro...

Agora, ao escrever-te, uma ideia mirabolante passou-me pela cabeça, e OMG se não a acho uma ideia até... até boa!

Diário... hoje é dia 8 de agosto e, peço desculpa pelo que vou fazer. Mas... sim! Vou levar-te a ela. Vou deixar que a Sofia te leia. Vou deixar que ela me conheça de uma outra maneira. Que tire da cabeça aquela ideia parva e ridícula da rapariga do Erasmus e me deixe fazê-la feliz! Ou, pelo menos, tentar. Quero que ela conheça o meu coração. Que sinta um bocadinho do que sinto por ela. Do quanto anseio por lhe demonstrar o meu amor, não só com atitudes, mas também com os meus pensamentos. Os pensamentos que me embalam as noites. Que me alimentam os dias. Que me deixam a desejar por cada vez mais.

Espero que me desculpes, mas..., mas preciso de fazer isto! A vida é demasiado curta. Não quero perder nem mais um segundo que seja sem tentar. Sem tentar ter algo com a única rapariga que realmente amei. E amo...

Pedro

P.S.: Sofia, espero que trates bem do meu amigo. Não tenho mais nenhum como ele!

P.P.S.: Já reparaste em como o P e o S foram as nossas iniciais? Talvez isto estivesse destinado. Destinado desde o início...


P.S.: Ficas Comigo? (Nova Edição)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora