Ela inclinou a cabeça. O que ele está fazendo? Está se coçando? Um segundo depois, Tsukiko estava imitando o menino sem perceber. Por algum motivo, o lábio superior dela estava úmido. Ela olhou para o dedo; estava branco. Ela saiu da varanda e rapidamente limpou a boca com as costas da mão. Que droga! Bigode de leite? Sério isso? Não consigo uma bola dentro perto dele não?

Tsukiko não tinha irmãos ou primos da sua idade, e apesar de dizer que tinha sorte por isso, ela invejava alguns amigos quando reclamavam dos irmãos. Desde que conhecera Taiyou-kun, ela queria dar uma de irmã mais velha. Mas o menino não era só mais educado e calmo que ela, como Tsukiko vivia mostrando apenas o seu lado desajeitado.

É minha punição por tentar ser diferente do que sou? pensou, pequenas lágrimas formando no canto dos olhos. Quase ao mesmo tempo, sua barriga roncou alto. Por que a sorte nunca está do meu lado? Ela abraçou o estômago. Será que ele ouviu? Não foi tão alto...

— Se estiver com fome... — Ele destroçou suas esperanças na mesma hora. — Digo, caso não se importe... — disse com seu tom baixo e super educado de sempre.

Apesar de falar no mesmo tom, por algum motivo, a imagem das maçãs do rosto de Taiyou-kun ficando um pouquinho vermelhas veio à a mente de Tsukiko. Mas provavelmente não estão tanto quanto as minhas. Ela deixou os ombros caírem, a ideia não a confortou nem um pouco.

— Gostaria de convidá-la para tomar café da manhã...

A boca dela se abriu por um momento... para depois os lábios se curvarem em um sorriso.

— Claro! Estarei aí em um segundo! — Tsukiko rapidamente jogou os cobertores para o lado e correu até o vizinho.

Taiyou-kun abriu a porta antes que ela batesse pela terceira vez. Ele fica tão fofo de pijama, pensou ela, sorrindo. Mas seu sorriso logo diminuiu quando percebeu que também estava de pijama. Droga! Eu devia ter trocado de roupa! Por que não fiz isso? Sentindo-se derrotada de novo, seus ombros caíram. Não tem nada que eu possa fazer agora. Acho que eu nunca fui feita pra bancar a irmã mais velha dele.

O apartamento dele era tão grande quanto o dela, e tão organizado quanto. Mas existia uma grande diferença entre os lares: a decoração. O pai dela nunca se importou muito com isso. Fora o básico, boa parte dos quartos parecia como se tivessem acabado de se mudar. Só o quarto e sala de estudos, que tinha esse nome sem razão, pois ela nunca a utilizava para seu propósito, dela foram totalmente decorados.

O apartamento do Taiyou-kun era um lar de verdade. Tsukiko sabia que cinco mulheres moravam ali com a tia do rapaz, mas já que todas se mudaram recentemente, ela esperava que o apartamento estivesse vazio. Mas estivera errada. Não importa para onde olhasse, podia ver algo mostrando que uma família feliz morava ali. O belo papel de parede, o armário de troféus, os DVDs e BDs bem organizados, o tapete. As paredes e as mesas estavam cheias de imagens da tia de Taiyou-kun com outra mulher segurando um bebê, da mãe do rapaz, dele e sua mãe, dois senhores de idade abraçando o menino, da tia com o casal de senhores, e várias outras, cada uma delas com vários sorrisos.

Então ele consegue sorrir assim, pensou Tsukiko, pegando uma foto emoldurada, um sorriso apareceu em seus lábios. Eu quero ver... Havia fotos dela e de seu pai no apartamento deles, mas não era nada como aquilo. Toda esse amor familiar a envolveu, e ela não conseguiu deixar de sentir um calor dentro dela.

Taiyou-kun foi para a cozinha. Tsukiko colocou a moldura de volta e foi atrás dele. Ainda que não estivesse no clima para comida pré-pronta, ela não se importaria se fosse na companhia dele. Mas quando o garoto pegou um avental, abriu a geladeira e colocou uma caixa de ovos no balcão, Tsukiko arregalou os olhos.

Tsukiko-chan e Taiyou-kunLeia esta história GRATUITAMENTE!