Capítulo 2

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Os raios de sol atingiram o rosto dela como um farol no meio da escuridão. Mesmo em seu estado meio acordada, Tsukiko estremeceu, puxou os cobertores e se virou. Mas já era tarde demais; despertara. Ela poderia tentar voltar a dormir, embora lá no fundo soubesse que seria inútil. Uma vez acordada, não importa o quão cansada estivesse, o sono não voltava.

Esfregando o rosto com uma mão, ela pegou o telefone no criado-mudo com a outra para ver a hora. As pesadas pálpebras não impediram Tsukiko de piscar várias vezes. Sete da manhã... Sete da manhã num domingo! gritou em sua mente. É cedo demais pra qualquer coisa!

Ela ficou deitada, encarando o teto, por alguns segundos... e então suspirou o mais alto que podia, como se pudesse se livrar de sua sonolência. Não adiantou; ainda estava cansada, sua visão embaçada e a mente raciocinava lento demais. Ainda assim, Tsukiko se enrolou nos cobertores, saiu da confortável cama, caminhou para fora do quarto gelado e arrastou-se até a cozinha.

A geladeira não estava vazia. Nunca estivera, já que a secretária do pai dela se certificava que o chefe sempre tivesse comida a disposição, ainda que mal comesse em casa. Mas nem Tsukiko, muito menos seu estômago, tinha qualquer desejo por comida pré-pronta ou instantânea de manhã. E comida saudável precisava ser cozinhada, uma tarefa além das capacidades dela.

Eu realmente deveria me esforçar mais nas aulas de Economia Doméstica, Tsukiko pensou por um instante antes de pegar uma caixa de leite. Ela foi até a varanda, arrastando o cobertor como uma cauda atrás de si. Estremeceu novamente e cobriu os olhos. O sol brilhava forte e alto no céu, sem nuvens bloqueando-o, todavia, o ar estava gelado e a garota enrolou-se mais nos cobertores.

Ainda que fosse muito cedo, muitas pessoas andavam pela rua. Ela os observou por um momento, sua mente não dando tanta atenção. Por que eles estão com tanta pressa num domingo? Havia uma mulher falando no celular, movendo as mãos como se explicasse algo para a pessoa do outro lado da linha. Um homem arrastava o filho, que se recusava a sair de onde estava. Outra mulher estava com a maquiagem toda bagunçada, caminhando de cabeça baixa... e muitos mais. Eles deviam estar dormindo... que nem eu, pensou ela, suspirando.

Tsukiko observou a rua e bebeu o leite direto da caixa, tentando acordar a mente. A garota não tinha ideia de quanto tempo se passara até escutar um pequeno espirro. Era baixo e contido, como se não quisesse incomodar ninguém.

Com as duas mãos, ela agarrou o parapeito, se inclinando o máximo que podia, e estendeu o pescoço até conseguir ver a varanda do apartamento vizinho. Quando viu o garoto de cabeleira castanha desarrumada com a cabeça baixa e assoando o nariz com um lenço, Tsukiko sorriu.

— Taiyou-kun! — Ela tirou uma das mãos do parapeito e acenou, toda a sonolência embora.

O garoto levantou a cabeça devagar e olhou para ela com os olhos inocentes, a ponta de seu nariz levemente vermelha. Ele é tão fofo que quero apertar suas bochechas!

— Bom dia. — Ele fechou os olhos e a cumprimentou com um pequeno aceno de cabeça.

— Bom dia! — Tsukiko loco trocou seu sorriso por um aceno simpático. — Pelo visto você também está acordado nesta hora inglória. Que pena para nós dois.

— Hora inglória? — perguntou ele em voz baixa, inclinando a cabeça. — Geralmente já estou acordado a esta hora nos finais de semana.

Tsukiko parou de acenar com a cabeça. Ainda que o menino não tivesse dito aquilo com qualquer outro sentido, ela sentiu como se estivesse perdendo para ele.

— É mesmo? Então você é um desses madrugadores que tantos escuto, é? — Ela disfarçou com uma risada aguda.

— Com licença — disse Taiyou-kun, tocando a parte superior dos lábios discretamente.

Tsukiko-chan e Taiyou-kunLeia esta história GRATUITAMENTE!