QUATRO: UM CASO DE STRIPPER

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Nota: Eu adoro esse capítulo! Acho que ele é super divertido! Ele não vai ter meta de estrelas, dessa vez, mas espero algo como uns 100 comentários porque acho que ele merece, tá? Então vamos lá!

Na quarta feira, Bia saía mais cedo do trabalho. Ela não tinha turma no curso, apenas aulas na escola, então ela chegava mais ou menos no meio da tarde, normalmente aproveitando após o almoço para fazer compras, ir ao médico ou qualquer outra coisa que ficara acumulada durante a semana. Então, foi uma grande surpresa quando ela parou à porta do meu quarto enquanto eu almoçava, o cabelo amarrado para cima e um filme de pancadaria passando no notebook na minha frente. Eu era o estado do caos, não que ela jamais tivesse me visto naquela situação, mas eu realmente podia evitar, se conseguisse. Principalmente porque eu me encontrava com uma coxa galinha na boca, as mãos e o rosto levemente engordurado.

Bia pareceu não notar, ou fingiu.

- Oi, Tatá, a gente pode conversar?

Eu tive que tomar um gole imenso de suco de laranja para digerir o pedaço de frango que eu mastigava a tempo de respondê-la antes que parecesse uma demora constrangedora.

- Aham, tudo bem – concordei, ainda com o copo nas mãos. Tomei outro gole para me assegurar de que tudo ficaria bem.

Pausei o filme enquanto Bia andava em minha direção e empurrei o computador e o prato com o pouco de comida que restara para o lado, achando que era melhor ignorar aquilo mesmo. Minhas mãos estavam sujas, mas não havia nenhuma chance que eu fosse lavá-las naquele momento, então eu só disfarcei e limpei-as em uma blusa suja que estava jogada ao meu lado da cama. Bia sentou-se à minha frente e eu sabia que seu olhar de águia descobriria a sujeira que eu estava fazendo em três segundos, mas não o fez. Ao me perguntar o motivo, percebi o olhar perdido em meu rosto e quase dei um pulo, me odiando por não ter notado a gravidade que ela carregava em seus ombros.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei. Ao mesmo tempo, minha cabeça enumerou diversos motivos pelos quais bia poderia estar naquele nível de distração opaca e eu logo escolhi o mais provável. – Você e o Diego brigaram?

- Quê? – Bia perguntou-me, saindo de seu estado e virando-se para mim com urgência. – Não, não, estamos bem. Na verdade, queria conversar com você sobre... Hm... Sábado.

Ah, não. Choraminguei mentalmente. Eu já tinha enterrado aquilo bem profundamente em mim e eu não queria contar para ninguém. Na verdade... Não queria contar para Lis e seus olhos julgadores. Bia parecia estar estendendo compreensividade e preocupação. Mas, mesmo assim...

- Ah, não, Bia, isso de novo?

Eu já estava quase me levantando para procurar qualquer outro lugar que me permitisse fugir daquela conversa quando Bia envolveu uma de suas mãos em meu braço, sabendo que eu estava prestes a fugir, mas querendo me manter ali de qualquer forma. Olhei para a sua mão que me segurava, sentindo meu coração disparar com a lembrança cruel de Vitor me segurando e me arrastando para o beco, mas obriguei meu coração a se acalmar; a mão de Bia era muito menor, delicada e seus dedos eram mais finos e foi o suficiente para evitar a lembrança corporal do acontecimento.

- Tatá, eu não sei o que aconteceu – ela murmurou. – Mas sei que foi alguma coisa séria. Você dormiu por um dia inteiro, o cara apareceu no hospital e você não quer falar sobre isso. Se a gente precisar procurar um advogado... Ou a polícia.

- Não – interrompi-a imediatamente, levantando o olhar que eu ainda mantinha em sua mão no meu braço para encará-la. – Não acho que eu precise de um advogado. Nem de ir à polícia.

- Tatá... – Ela estava quase implorando.

Passei a mão pelos meus cabelos e me arrependi imediatamente porque eu tinha certeza que ela não estava livre dos restos do frango. Teria que adiantar o meu banho para assim que a conversa terminasse, com certeza. Suspirei, cedendo aos olhos implorativos de Bia.

[HIATUS] A Caçadora de CanalhasLeia esta história GRATUITAMENTE!