Bônus

1.6K 257 113

Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.


Afonso Pov.

As noites aqui em Ashford eram sempre estreladas. Todos os anos nós vinhamos para cá comemorar meu aniversário, mas meu passatempo preferido era ficar na varanda do quarto olhando para o céu. Contemplando as estrelas. Será que elas podiam me ver? Ou ouvir?

Claro que não Afonso, não seja tolo. Me repreendi mentalmente.

As vezes só queria estar lá em cima também. A vida aqui em baixo era complicada, ainda mais quando se é um príncipe e têm certas obrigações e responsabilidades. Não estava reclamando, sabia que muitas pessoas desejavam isso e fariam tudo para estarem em meu lugar, mas as coisas não eram só flores como pareciam.

Fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes antes de descer ao baile. Sabia que devia estar movimentado e como bom anfitrião devia aparecer logo.

Caminhava distraído pelo salão quando acabei esbarando em alguém. Seus olhos castanhos claros me chamaram a atenção mesmo com a máscara. Eles pareciam brilhar. Estela. Esse era seu nome. Será que a conhecia? Tinha essa sensação estranha. Quem sabe uma princesa de algum lugar que já visitei. Mas ela negou.

Misteriosa! Pensei dando um pequeno sorriso.

Sem conseguir me conter a convidei para dançar. Precisava de mais algum tempo junto com ela. Não sabia dizer porque, só estava sentindo isso. Algo como uma ligação. Um fio invisível. Era... Estranho.

Por isso me desesperei quando ela se desvencilhou de mim e praticamente correu para fora do salão, e do castelo. Para onde estava indo? Não podia deixar que ela se fosse assim.

Sem pensar corri atrás dela e a parei nos degraus da frente do castelo.

— Não, não vá! — Pedi segurando seu braço.

— Eu preciso! — Insistiu — Aqui não é meu lugar.

Lugar? Como assim lugar? Ela nem ao menos disse de onde era. Como a encontraria novamente?

— Mas... — Comecei confuso.

— A vida inteira sonhei em estar aqui. — Interrompeu me fazendo olha-la ainda mais confuso — Eu olhava lá de cima e desejava com todas as minhas forças poder descer, nem que fosse por apenas uma noite.

Descer de onde? Ela disse que era lá de cima. Pensei em alguns castelos que pudessem ficar em montanhas e lugares altos, mas mesmo assim não fazia sentido. Era como se ela se referisse a outro lugar, literalmente.

— Eu não entendo... — Franzi a testa.

Estela chegou mais perto e sorriu tocando meu rosto. Passou a ponta dos dedos e desceu aos meus lábios. Seu toque era suave e fazia minha pele formigar. Era uma sensação gostosa.

— Eu sempre vou estar olhando por você... Para você. — Sussurrou chegando ainda mais perto.

Encarei seus olhos e pude ver uma pequena faísca no fundo deles. Novamente aquela sensação de familiaridade surgiu em meu peito, fazendo com que se aquecesse.

Lentamente então seus lábios tocaram os meus, apenas um leve roçar, mas que mexeu comigo inexplicavelmente. Senti meus olhos marejados e o coração meio acelerado. Era como se pressentisse algo. Mas o que?

Vi seu bonito sorriso enquanto se afastava. Sua mão soltou a minha e imediatamente senti falta de seu calor. Estela se virou e desceu os últimos degraus da escada, seguindo pelo jardim.

Queria ir atrás dela. Pedir que ficasse e que por favor me explicasse o que estava acontecendo. O que era aquilo que estava sentindo. Mas não fiz. Não fiz porque algo me dizia que havia mais por detrás de tudo aquilo, e estava certo.

Ainda sem acreditar muito bem no que estava vendo acompanhei com os olhos um pouco arregalados seu corpo ir tomando brilho. Sim, ela estava brilhando. Seu corpo estava envolto por uma luz, quase como se fosse uma...

Não, não pode ser! Isso é loucura! Pensei enquanto ainda a observava.

Devagar ela se virou e deu um pequeno sorriso, que mesmo a distância consegui ver. Então em um passe de mágica simplesmente desapareceu, pelo menos seu corpo, que virou uma pequena bola de luz, subindo direto ao céu.

Estela... Estrela! — Sussurrei encarando o pequeno ponto de luz brilhante agora refletindo no céu. 


(668 palavras)

Quando a noite chegaLeia esta história GRATUITAMENTE!