Capítulo 55 - Leão

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No dia seguinte o Senhor B mancada e em sua perna esquerda havia um extenso curativo. Em seu rosto um sorriso. Depois do café da manhã ele se despediu e foi até sua oficina que ficava aos fundos da casa. Passou muitas horas cerrando e martelando e então pediu minha ajuda para colocar dois eixos com rodas em uma estrutura de madeira que era praticamente uma gaiola. Um cambão prendia a gaiola a parte de trás da carroça.

Isto tomou o dia todo do Senhor B que foi dormir cansado mas com um sorriso no rosto.

No dia seguinte fomos até o moinho onde ele colocou alguns pedaços de frango frito com bastante gordura dentro da gaiola. Dava pra sentir de longe o cheiro da comida. Encostou a porta aberta da gaiola na porta do galpão onde o cão estava preso e abriu apenas uma fresta, e esperou. Um silêncio longo. Uma espera.  Que torturante espera. Muito tempo e nada do animal.

Cansei de esperar e fui observar o funcionamento da roda d'água. Uma engrenagem continua movida pelo fluxo. Encher, girar, esvaziar. Encher, girar...

Genial. Quem foi o primeiro humano a pensar algo assim?

Quando voltei a olhar a gaiola vi o monstro silencioso. Ele pegou um pedaço de carne e desapareceu dentro do galpão como um relâmpago. Um tempo depois ele voltou a pegar mais um pedaço e repetir seu desaparecimento. O senhor B permanecia imóvel ao lado da gaiola. Os pedaços de carne restantes estavam no fundo da gaiola e quando o cão estava com todo o corpo dentro da gaiola eu pensei que era o momento ideal para fecha-lo porém o Senhor B não fez isto. Fechou a porta do galpão e fomos embora, deixando a gaiola ali.

— Achei que você queria prende-lo.
— Este cão já sofreu bastante. Podemos ver isto nas suas cicatrizes. Acho que ele não gostaria de passar muito tempo naquela gaiola. Ela será apenas uma ferramenta.

E assim foram vários dias. O Senhor B colocou o moinho em funcionamento, contratou funcionários e produziu farinha. Metade de um dos galpões foi preenchido e sua rotina com o cão continuou. Ele também cultivou algumas flores ao lado do galpão com o cão. O cão se acostumou ao s
Senhor B e então passou a ouvir comandos dele. Sua comida passou a depender da obediência de seus comandos.

O cão era enorme. Muito maior que o Barão. Eu não levava o Barão comigo. Tinha medo. O cão era muito maior que um lobo. Acho que o cão era do tamanho de um leão. Ao menos eu imaginava isso depois de ter lido sobre estes grandes felinos que vivem na África.

Um dia o Senhor B disse que o cão precisava de um nome.

— Leão. Acho que ele é um leão.
— Faz sentido — disse o Senhor B — nunca vi um leão mas deve ser deste tamanho. Será Leão como você disse, Jeff — disse com um sorriso no rosto.

Alguns dias depois o Senhor B repetiu sua rotina com o Leão, só que sem a gaiola.

Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora