Capítulo Vinte

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"À Beira do Abismo"

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"À Beira do Abismo"

Sábado, 29 de novembro de 2003

Voltei para concluir a escrita e dizer o que aconteceu. O Andrei chegou um pouco agitado e foi logo perguntando se eu estava bem. Depois de confortá-lo, tentei ser um pouco mais fria, e fui direto ao ponto. Confesso que não segurei o pranto quando declarei que planejava deixar a banda. Nessa hora o Andrei se impactou, colocando suas mãos em volta do meu rosto, na tentativa de me acalmar.

Coitado... Mal sabia o que havia se passado comigo.

Tomei fôlego e contei tudo o que aconteceu. Parte por parte. Como ele sabia do golpe do celular, entendeu perfeitamente a jogada do inimigo invisível. Esse plano maquiavélico nos deixou sem palavras. Porém, a reação do Vitor e as mensagens (que eu nem tinha conseguido ler, por mais que houvesse tentado), foi além de tudo o que imaginamos. Vi o modo que o Andrei se comportou. Vi a marca do desgosto, da vergonha alheia e da inconformidade em sua face. Ficamos assim, empalidecidos, por longos minutos, até a hora em que a Alina e o Cris chegaram.

Foi difícil lidar com a chegada do meu irmão.

Quero dizer... Eu ainda estava impactada com a mensagem da Milena, é claro, mas não podia simplesmente indagá-lo sobre isso na frente de todos, uma vez que a raiz do maior problema se tratava da atitude do Vitor.

Pelo menos nesse momento, fraca eu não fui. Fui direto a eles, com o Andrei andando atrás de mim, e narrei todas aquelas atrocidades. A sacola que o meu irmão segurava foi ao chão. Ele planejou ir à casa do Vitor a qualquer custo, e coube a cena um esforço por parte do Andrei, que teve de segurá-lo com cuidado para não levar um soco. Eu e a Alina nos juntamos para contê-lo. Enrijeci meus punhos e perguntei se ele estava realmente agindo como um irmão... Seus olhos se concentraram em mim; nessa hora eu notei um quê de nervosismo aflorado em suas feições.

— A gente tem que agir com a cabeça, e não com os braços. — Soltei.

Ele se acalmou um pouco e desculpou-se pelo descontrole momentâneo.

Não parei de olhar para ele, para saber se agiria de modo estranho. Em nenhum momento preocupou-se em ir até o quarto para apanhar o celular. Pensando comigo mesma, cheguei a conclusão de que, talvez, ele sequer soubesse da mensagem da desgraçada. Fiquei morrendo de vontade de falar a ele! Se eu o fizesse, o Andrei poderia ficar sabendo de todo o rebuliço que a Milena causou no passado, até mesmo da agressão do Cris. E eu não desejava falar sobre aquilo, não naquele instante... Cada um reage de uma maneira, e eu reagi da melhor forma que me convém.

Sentamos na varanda do meu quarto, nós quatro, e matutamos sobre o que poderá ocorrer na segunda-feira...

— Você realmente pensa em deixar a banda? — Perguntou Andrei. E eu falei que sim.

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