Prefácio

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Deitada na grama em uma das pracinhas no campus da Universidade Federal de Pernambuco, em pleno sábado à tarde, me vi agarrada ao livro “Querido John”, de Nicholas Sparks, pensando na história de amores desencontrados. O sol gostoso do fim da tarde aquecia meu corpo, em um dia qualquer no início de dezembro. Daniel me vem à mente. Suspiro, imaginando que preciso mesmo, dar um basta nessa nossa história. Tantos anos de vai e vem, de beijos e brigas, de declarações de amor e palavras ditas com o mais genuíno ódio.

Aperto os olhos com força, abraçando o livro sobre o peito, e uma sombra se faz sobre minha cabeça. Abro os olhos e vejo a imagem invertida de Carol com as mãos na cintura.

– Preciso de uma resposta sua. – Diz, como se estivesse me intimando. – Decidi aceitar a proposta de Mia.

Levanto-me rapidamente e sento na toalha forrada na grama. Carol suspira e senta-se ao meu lado.

– Não quero ir sem você, Mariana... – Resmunga.

– Eu não sei, amiga! É uma decisão muito séria pra tomar de uma hora pra outra.

– Como assim de uma hora pra outra? Há tempos Mia nos convida pra passar uma temporada com ela em Seattle! Estamos no final do semestre, podemos trancar a faculdade sem perder nem um mês a mais de aula, fazer um belo curso de inglês e voltar com um certificado internacional pra enriquecer nosso currículo! Você e o Daniel terminaram de novo... Mariana, pelo amor de Deus! O que é que te prende aqui?

Passei anos e anos sonhando em conhecer os Estados Unidos. Desde que me apaixonei pelos Backstreet Boys, ainda pré-adolescente. Sempre foi um dos meus maiores sonhos conhecer a terra do Tio Sam. Fosse onde, como ou quando. Só tinha que ser com Carol. Mia já estava lá há um tempão, e embora tivesse prometido a mim mesma, diversas vezes, que iria, nunca pensei em ir de verdade. Sempre coloquei barreiras. É muito longe; preciso de muito dinheiro; ah, é só um sonho. E sonhos nem sempre precisam ser realizados. Por isso têm esse nome.

– Sempre quis conhecer os Estados Unidos... – Pensei em voz alta.

– Pois então?! – Interrompeu-me bruscamente. – Vai ser uma ótima oportunidade pra nós duas! Além do mais, você e Daniel terminam de vez como essa história sem fim!

– Você pode ter razão...

– Eu sempre tenho razão. – Disse, sorrindo, segurando minha mão. Retribuí o sorriso.

– Quando vamos? – Respondi convicta, fechando o livro, até então aberto sobre meu colo.

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