Rei da Lua Sangrenta, Parte 1

67 7 0


Capítulo 21

Rei da Lua Sangrenta, Parte 1

          Já fazia algumas horas desde que nós havíamos deixado a Escola do Divino para voltar à Espanza a fim de continuarmos destruindo as Masmorras lá. Mas uma sensação estranha não deixava minha mente, como se eu estivesse deixando passar um detalhe importante e isso estivesse coçando no fundo do meu cérebro. No começo, foi fácil ignorar a sensação, mas quanto mais a noite se aproximava, mais ela crescia. Quando o pôr do sol finalmente brilhou no horizonte, eu não conseguia pensar em nada além do que havia deixado passar.

          — Algum problema, Kendra? Sua cara é de quem está com uma dor de barriga.

          Tirando o motivo idiótico de Meredith, ela estava relativamente certa. Minha preocupação provavelmente deveria estar aparente em meu rosto.

          — É só uma sensação que estou tendo desde que deixamos a Escola. Como se eu tivesse deixado passar algo.

          Meredith não pareceu muito entusiasmada com a resposta, mas Gladys se virou para olhar a minha expressão.

          — Bem, todo aquele negócio me pareceu suspeito, mas não acho que não percebemos nada de importante.

          Ela tinha razão quanto a isso, fato. Usar uma prisioneira para atrair o resto da guilda era uma boa estratégia, mas algo parecia suspeito. Por que as ordens dadas ao Executor eram de capturar um dos membros e recuar imediatamente? Por que não capturar Brayan já que ele estava tão perto? E por que nos dispensar quando ele sabia que o resto da guilda estava vindo? Algo não fazia sentido. Era como se Veraprata quisesse que Brayan viesse por vontade própria. Mas por quê?

          — De qualquer forma isso não nos importa mais. Nós capturamos um deles, entregamos à escola e fomos liberadas. O que quer que os superiores estejam planejando é problema deles — disse Meredith com um tom desinteressado.

          — Sim, concordo que não cabe a nós nos preocupar mais sobre esse assunto — complementou Gladys.

          Os comentários pouco fizeram para aliviar meu incômodo. Mas, mesmo assim, elas estavam certas. Não havia porque ficar pensando sobre o que os superiores estavam planejando uma vez que nós já havíamos sido dispensadas. A menos que os superiores não soubessem ainda sobre os planos de Veraprata.

          Balançando um pouco minha cabeça, voltei a andar. Quanto mais eu pensasse naquele assunto mais desconfortável, mais a sensação ficaria. Precisava me focar em meu trabalho como uma Escolhida, não sobre os jogos das pessoas no alto escalão do Divino. Seria o melhor para mim e para ele que as coisas seguissem assim. Mas, se minhas suspeitas estivessem corretas, ele poderia estar em perigo. Como que para me confortar um pouco, virei-me, esperando uma confirmação de que não havia nada de errado. Eu estava enganada.

          Uma enorme nuvem negra, destacando-se até mesmo no céu escuro, rodava freneticamente na linha do horizonte. Não havia trovões e nem vento, indicando que aquilo não era uma tempestade. Provavelmente nem mesmo uma nuvem, já que ela aparentava se mover de uma forma violenta demais para qualquer coisa menor que um tornado. Mas o pior de tudo era que ela estava cobrindo o céu acima da escola.

          — Kendra? O que foi agora? Você...

          Eu não cheguei a terminar de escutar o que Meredith estava falando. Usando Fragarach, eu fiz com que uma rajada de vento se movesse na direção da escola, correndo junto a ela o mais rápido que podia. Mesmo sem boa parte da resistência do ar e o vento a me empurrar, eu ainda demoraria quase uma hora para chegar. Isso tinha que ser tempo o suficiente. Se não fosse, todos esses anos de serviço não teriam significado nada.

Estrela MortaLeia esta história GRATUITAMENTE!