O Moinho, parte 2

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Já era noite e o Senhor B não tinha voltado para casa e Branca estava preocupada

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Já era noite e o Senhor B não tinha voltado para casa e Branca estava preocupada.

Peguei o lampião e fui a pé até o moinho.

Quanto coisa passa pela nossa cabeça ao andarmos sozinhos em meio a uma escuridão. Não há nada a nossa volta e ao mesmo tempo, existe um alvoroço de coisas, um redemoinho de possibilidades. Era lua cheia, então preferi apagar o lampião mas o carreguei comigo. Eu consigo enxergar bem no escuro. Sempre achei que isto fosse uma habilidade que eu tinha, algo superior. Mais tarde eu descobri que naquela época eu já sabia utilizar mais a visão periférica no escuro. 

Quando cheguei ao moinho encontrei a carroça com burro atrelado, algumas ferramentas fora da caixa. Escutei a agua girando a roda do moinho em um compasso perfeito.

— Senhor B! — saí gritando ao derredor do moinho.

Ao chegar perto dos galpões, escutei o Senhor B gritando.

— Não entre aqui Jeff!

Neste momento o cão monstruoso saiu pela porta do galpão, correndo em minha direção.

Observei o cão que se aproximava rapidamente. Quando chegou a três passos de mim, ele saltou e transformou-se em um projétil. Meu pescoço era o alvo. Bastou um desvio para a lateral e o cão caiu sobre o próprio ombro e rolou algumas vezes. Rapidamente retomou sua investida.

O que este cão pensa que eu sou ? Eu não quero roubar sua comida ou sua cama. Por que ele não gostou de mim? Achei melhor encontrar um lugar mais alto onde ele não alcançasse e então corri até o galpão e, pisando no meio da porta, segurei o alto dela para subir e então me sentar. O cão ficou tentando alcançar o meu pé que estava a mais de um metro e meio de distância dele.

— O que houve Senhor B?

— O cão está enraivecido. Acho que ele estava dormindo neste galpão. É um Kangal e pelas marcas na cabeça eu acho que ele era um cão de briga. Estou bem mas minha perna está muito machucada e estou aqui neste lugar alto que encontrei.

 Estou bem mas minha perna está muito machucada e estou aqui neste lugar alto que encontrei

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Aquele cão não desistiria. Levei minha mão direita até a cintura e toquei a faca, certificando-me de que ela estava ali. Quase sempre ela estava. A lógica era simples. O Cão precisava ser sacrificado.

— Não o mate, Jeff  — disse o Senhor B, como se tivesse lido meu pensamento.

Olhei a minha volta e não encontrei nenhuma ferramenta que me servisse de arma ou proteção.

— Se você esticar a mão por dentro do galpão, conseguirá pegar uma corda que está pendurada do lado de dentro.

Com algum esforço eu peguei a corda e fiz um laço. Lacei o pescoço do cão mas não deu certo o meu plano pois, depois de se debater um pouco o animal escapou do laço que deslizou pelo seu pescoço. Então aumentei o tamanho do laço e quando o cão deu um de seus saltos eu lacei teu tronco e o levantei pelo peito. Ele perdeu o chão e o laço não deslizaria pois as patas dianteiras não permitiriam. Passei a corda por cima da porta e a amarrei  na tramela. Ajudei o Senhor B a descer de seu refúgio e, já do lado de fora eu lhe perguntei o que faria com o animal enraivecido.

— Deixe-o trancado no galpão e amanhã eu resolverei isto.

Subi novamente na porta do galpão e passei o cão que não parava de grunhir para o outro lado, ainda sem colocá-lo no chão. Fechei a porta e então soltei a corda para que ele ficasse livre.

Logo ele ficou livre para protestar por sua prisão.

Coloquei o Senhor B na carroça e o levei para casa, assim como tinha prometido a Branca.

— Acho que você tem um problemão pra resolver com aquele cachorro, Senhor B.

Ele sorriu.

Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora