Capítulo 31 - Ele se foi.

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"Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas."

Provérbios 3: 5-6

Provérbios 3: 5-6

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Samara

Não conseguia raciocinar direito a frase que ouvi. Quando qualquer pessoa coloca numa frase " ele se foi", em sua mente você relaciona a morte. Certo? Isso não pode ser verdade. Seria insuportável demais para mim.

- Como assim, mãe? - afundei minhas mãos no colchão do hospital, planejando sentar na cama, algo natural ao levar um susto, porem minha cabeça por um momento se esqueceu que não poderia mover minhas pernas. Era como se em toda minha vida não as tivessem. Elas estão nulas em meu consciente.

- Na verdade não sei direito, meu amor. Ele apenas deixou essa carta com o Aslan e viajou para algum lugar. Foi o que entendi - ela se aproximou de mim dizendo: - Desculpe a forma que falei, lhe assustou não foi?

- Um pouco, mas está tudo bem - mostrei meu sorriso amarelo e analisei aquele rolinho preso a uma fita azul. Minha mãe acariciava meus cabelos enquanto ficamos em silencio.

Na verdade, não estava tudo bem. Não vou mentir que saber que nunca mais irei andar não me abala profundamente, me abala sim. Demais até. Como posso imaginar que nunca, nunca mais irei dançar? É como respirar, para mim. Meus pés foram feitos não só, apenas, para andar e correr, mas pular, saltitar, girar no ar, elevar ao mais alto que consegui e mesmo com os pés no chão, conseguia voar como um pássaro livre. E o Mathias? Para onde ele foi? Sei que Deus está comigo sempre e é por isso que não afundo em uma tremenda depressão. Porque ele me encheu de uma paz avassaladora que libertou meu ser de me afundar no sofrimento. Ele sabe o que é melhor para mim, então preciso confiar sempre.

Um vazio me invadiu ao lembrar do anjo, como se ele não estivesse mais próximo de mim como antes, parece que ele moveu suas assas acinzentadas para longe de mim.

- Eu sei que está sendo difícil para você, filha. Seus olhinhos não me enganam. O que posso fazer para amenizar qualquer dor que esteja sentindo? - perguntou aflita, desmanchando o silencio naquele lugar.

Comecei a pensar e olhar para aquele rolo em minhas mãos. Minha mãe estava certa em dizer que estava com medo de ler a carta. Tão logo, veio na minha mente como um tsunami, invadindo meus pensamentos com toda força e velocidade. Realmente o Mathias é o anjo e o Nicolas é o meu...

- Mãe, o Nicolas é meu pai? - a ultima palavra saiu tão fraca como um fio de voz, que não poderia acreditar que finalmente o conheci.

Ela não conseguiu falar, apenas consentiu com sua cabeça. Seus olhos logo começaram a brilhar de rasas lagrimas e fungou o nariz impedindo de chorar.

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