II

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Chego em casa, ainda sem conseguir falar com a minha, ligo do telefone fixo só para dizer que ninguém me seqüestrou e que estou bem. A casa está vazia um completo caos cheio de caixas fechadas que vieram da mudança e ainda não foram abertas. Desvio delas, passo pelo sofá e pelo nosso suporte de teve improvisado – o que deveria ser nossa mesa de centro– e subo para o segundo andar.

Meu quarto não está muito diferente. A cama está um caos já que joguei todas as minhas roupas em cima dela. O resto está encaixotado, a única coisa que não está bagunçada é a mesa que fica perto da janela com meus matérias de desenhos não digitais. Coloco a bolsa na cadeira e pego meu caderno para ver como ficaram meus rabiscos. Ou pelo menos tento, porque quando coloco a mão lá não acho nada.

–Não! – Viro a bolsa em cima da cama bagunçada mesmo– Merda, merda, merda. Não acredito.

Eu esqueci meu caderno no café. Sento no chão, completamente derrotada. Meus cadernos são as minhas almas, só de pensar que alguém o pegou e viu as coisas lá dentro, ou pior que tenha jogado ele no lixo. Eu não posso nem imaginar.

Saio de pressa e mal tranco a porta de casa, não levo nada porque preciso ir rápido. Já é tarde e, segundo o mesmo funcionário que me falou do centro antigo, as lojas lá não costumam ficar abertas a noite, nem no verão, por uma tradição deles ou sei lá o que. Torço para que o lugar ainda esteja aberto.

Estou suada e ofegante quando eu chego, mas adivinha só? Fechado.

–Não isso não pode estar acontecendo! – bato na porta comercial para ver se alguém ainda está lá dentro, mas nada.

Sento na calçada quase chorando. Uma moto para na minha frente, levanto o rosto quando o motoqueiro tira o capacete..

–Está tudo bem?– É o garçom de mais cedo

Dou um pulo.

–Moço eu esqueci meu caderno aqui mais cedo. Vocês acharam? – Falo tão rápido que nem sei como ele consegue entender.

–Eu não sei. – ele responde. – Quem ficou responsável por fechar o bar hoje foi o Gabriel. O menino que estava cantando. Ele está com as chaves também. Mas ele acabou de ir embora.

–Droga! Você sabe onde eu posso encontrar ele? – Ele me olha desconfiado, afinal eu poderia simplesmente esperar o dia amanhecer e vir buscar, mas pelo tom da minha mãe no telefone quando finalemnte consegui falar com ela e por eu estar essa hora na rua eu não conseguiria sair tão fácil de casa nas próximas semanas . – É que é importante muito importante!

Ele pensa um pouco antes de responder. Então remexe no bolso da calça e tira um panfleto e me entrega.

–Vai ter um Lual na praia hoje, ele sempre vai nesses lugares, talvez você possa encontrar ele por lá.

–Nossa obrigada. Obrigada mesmo!

– Precisa de carona para casa? – pergunta ele.

O sol está se pondo e eu preciso estar em casa o mais rápido que posso, mesmo assim eu não sou louca de aceitar carona de um cara que não conheço;

–Não, obrigada.

–Foi nada.

Ele dá ombros, coloca o capacete e sai com a moto. Eu corro para casa.

Brisa MaritimaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora