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29-11-2015

Queridas constelações,

O que me faz escrever hoje é um tema diferente e delicado. Amor. Já captei a tua atenção? É incrível o poder que só uma palavra tem no ser humano, independente de a remetermos a um sentimento ou não, por si só, a palavra amor tem um peso enorme na vida dos seres racionais.

Mas será que lhe damos o devido reconhecimento? Na minha opinião não. Até porque por mais que tentemos nunca o iremos conseguir, a mensagem escondida por detrás desta pequena palavra é capaz de ultrapassar barreiras e chegar onde nunca se pensou que se chegaria há uma década atrás.

Com o passar dos anos fomos assistindo a uma nova forma de empregar a palavra amor, com 6 anos de idade, a tua definição de amor era, com certeza, igual à minha e à de todas as crianças com essa idade. Os nossos pais, para maioria das crianças, eram a sua referência de amor verdadeiro, era como eles que nós queríamos ser quando crescêssemos era o que presenciávamos naquela altura. Era a nossa  crença no amor.

No entanto, muitas das nossas crenças foram sendo destruídas, os nossos pais, maior parte deles vivem agora vidas separadas e individuais, já temos irmãos de uma ou das duas partes que resultaram de relacionamentos posteriores e, até esses, na maioria dos casos não se encontram vivos no presente.

À medida que o tempo foi passando também tudo aquilo que pensávamos ser uma realidade fixa foi alterado e hoje, bem hoje acho que são raras as pessoas que têm uma definição de amor fixa e intemporal.
Lares destruídos, familiares que morrem, corações partidos, adolescência... São tantos os problemas que põem à prova o que acreditamos ser o correto que no fim de tudo isto já nem nós próprios sabemos quem somos, quanto mais definir uma coisa que foi sendo destruída ao longo do tempo...

Hoje dei-me ao trabalho de falar abertamente sobre este tema com a minha irmã, a resposta dela foi simplesmente que não sabia o que era o amor. Ficou a olhar para mim, com aqueles olhinhos doces e inocentes à espera que eu lhe explicasse o que era afinal o este sentimento tão estranho.

Eu, como qualquer pessoa, fiquei com receio de lhe explicar a confusão de pensamentos presentes na minha mente naquele momento e por isso só fui capaz de lhe responder que, um dia espero poder saber e mostrar-lhe o que é o verdadeiro amor. Não o amor de irmãs, nem o de familiares, mas sim o amor que nos faz as borboletas ficarem de lado e um zoo inteiro apoderar-se do nosso corpo, o tipo de amor que faz os nossos olhos brilhar apenas quando ouvimos o nome daquela pessoa, o amor eterno, o amor pelo qual vale a pena viver.

Pode ser que um dia o meu marcador somático possa vir ao de cima e mostrar-mo o caminho certo, mas até esse tão aguardado e ansiado dia terei de me ficar pela imaginação, pelas histórias clichês que toda a gente sabe e pela esperança.

Pela esperança de que, na minha efemeridade, encontre alguém que faça esta pequena e simples palavra valer mais do que um dicionário inteiro.

Blake ☁

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