TRÊS: TEM ALGUÉM EM CASA?

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Nota: Esse capítulo é um pouco curto, então a meta será menor. Vamos ficar com 2,5 mil visualizações na história ou 50 comentários e estrelas no capítulo, ok? Muito obrigada pelo carinho de sempre! Estão gostando?

Na minha concepção, a melhor coisa que eu poderia fazer era entrar em um fast-food qualquer e esperar encontrar alguma movimentação ou conseguir um táxi para casa. Encontrei uma lanchonete aberta depois de correr desesperadamente por cinco minutos; eu gostava e estava acostumada a exercícios, mas aquela situação maluca, talvez pela droga ainda em meu sistema, talvez pela outra coisa que eu preferia não lembrar, fez minhas costelas arderem de cansaço e falta de ar.

Pedi qualquer coisa apenas para enrolar. Também escolhi a promoção mais barata. Não estava exatamente com fome, embora soubesse que meu corpo podia se utilizar de alimento naquelas condições estranhas, mas o hambúrguer que eu escolhi era tão pequeno que eu achava difícil que suprisse as necessidades do meu corpo; ossos do ofício do desemprego.

Eu estava terminando o meu refrigerante e cogitando a hipótese de morrer em mais algumas notas pedindo um milk-shake quando ouvi as sirenes. Uma ambulância e um carro de polícia passaram varados pela fachada do fast-food e eu sabia exatamente para onde eles estavam indo. Eu sabia porque, bom, eu tinha causado o acidente.

Não, uma voz em minha mente gritou por atenção. Ele causou aquilo a ele mesmo.

Comecei a tremer por três motivos muito simples, no geral. O primeiro era  ainda pelo que havia acontecido, pelo que quase havia acontecido, na verdade. Eu sempre tomava cuidado com tudo para não passar por situações assim, não tinha visto Vitor chegar perto da minha bebida de forma... Ah! Com um esclarecimento de repensar os momentos que passei ao lado do cara, recordei-me do momento em que se apresentou. Minha bebida chegou um pouco antes dele me beijar pela primeira vez e ele tirou o copo de minha mão durante o beijo, colocando-o sobre o bar. Foi quando comecei a ter uma sensação ruim sobre ele, mas não conseguia entender o porquê. Em algum momento, daquele ponto até nos afastarmos e eu pegar a bebida de volta, ele deveria ter colocado algo para me drogar ali. Era a única explicação. Como que eu havia dado aquele mole? Coisas muito ruins poderiam ter acontecido por causa daquele deslize e s+o não aconteceram porque...

Bom, aí entrava no segundo ponto. Não havia acontecido porque meu corpo tinha reagido da forma mais estranha possível. No conforto e na claridade da lanchonete, encarei minhas mãos. Estavam normais, apagadas e sem nenhum vestígio do estado inicial de momentos atrás. Como poderiam ter queimado a camisa, a pele dele e o cartaz e estarem intactas? Inclusive o anel que eu estava usando não parecia ter sofrido qualquer dano. O que tinha acontecido comigo? Minha mente fugiu para momentos anteriores da minha vida, quando me perguntei a mesma coisa em acidentes parecidos e eu neguei com a cabeça. Tudo aquilo era reação ao trauma, eram todos causados pelo trauma. Minha mente deveria ter inventado tudo aquilo, exceto que...

A ambulância e o carro de polícia haviam passado para aquela direção e, embora eu achasse que qualquer outra coisa poderia ter acontecido para charmar-lhes atenção, eu sabia que estavam indo resgatar Vitor porque era a coisa mais lógica, então um terceiro medo me acometeu: e se ele me ligasse ao local? Se ele, quando fosse depor, falasse que eu estivera lá apenas algum momento antes dele desmaiar, que eu que o havia atacado, na verdade, e que foram minhas mãos que queimaram o seu corpo?

Eu me levantei para ir embora dali o mais rápido possível, me tirando da cena do crime. Por mais que achasse que Vitor não seria burro o suficiente para me mencionar, não comigo sendo drogada e quase estuprada, eu não poderia arriscar mais do que já tinha feito.

[HIATUS] A Caçadora de CanalhasLeia esta história GRATUITAMENTE!