25 horas

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É pressa. As notícias diárias coalhadas de desgraças, as ruas cheias, os celulares, a internet. É pressa. Estamos com pressa de tudo. Corremos, voamos e andamos com pressa, tentando acrescentar tempo em nosso dia. O ideal seria um dia com 30 horas, mas se não der, 25 já serve!

Doença. Greve. Desacordo. Acidente. É tudo pressa, nos tornamos máquinas em busca de mais e mais rendimento, cada vez tentamos maximizar a rotação.

O corpo não funciona assim. O Universo não roda em tal velocidade. O dia nasce e morre para dar lugar à noite. A Lua chega e vai embora iluminar outros amantes e brilhar em outros mares. A chuva precisa de corpo aberto para molhar. O Sol precisa de sorriso para brilhar mais forte.

O tempo é invenção humana e por isso não existe na vida, nós é que o mantemos. Vivemos constantemente atrasados, em falta, ausentes, nem bem chegamos e já estamos atrasados para o próximo compromisso, que é tão importante e vital quanto o anterior. O que mesmo se faz importante hoje?

É importante viver? Viver é se dar conta que não olhou no olho de seu amor hoje ou que não sabe a roupa que seu filho vestia pela manhã, quando você o "descarregou" na porta da escola porque já estava atrasado para a primeira reunião do dia? Há enxurradas de livros de autoajuda pregando a vivência do presente, e vendem tanto que todos estão vivendo o presente. Que presente? Quando é o presente? É agora? Mas que agora, se não me permito parar e ouvir um pouco o som da chuva que pinga lá fora?

Estamos no século 21 e nunca se soube tanto, nunca se dominou tanto os meios tecnológicos, porém nunca se viveu menos. Não creio se tratar de ter ou ser, mas sim de simplesmente viver. Não há regras para isso, não se aprende nos livros ou nos documentários da tevê. Aprende-se pura e simplesmente se deixando viver.

© Dan Porto

www.danporto.com

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