Prostituir a palavra

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Temos sido cada vez mais negligentes e mentirosos e também mais moralistas com a palavra. Temos usado a palavra para esconder a verdade e o desejo que reprimimos e vai nos adoecendo emocional e fisicamente.

Tenho observado que a cada nova geração o senso de moral tem aflorado mais forte e acredito que se trata de um processo natural e necessário de evolução. Contudo, também percebo que essa moral muitas vezes quase enfeitada, de tão essencial que se torna, tem prendido as pessoas em ações e reações repetitivas, tolhendo a curiosidade, o que limita as experiências.

Mas não identifico essa mesma moral quando se trata de se valer da verdade nas relações e nos sentimentos. Começa que poucos se dedicam ao autoconhecimento e autodesenvolvimento. Mesmo a educação está dependendo de outro, de algo externo e até de uma motivação externa.

Com esse desconhecimento da emoção, que poderia ser uma reação, escolhe-se o sentimento mais acessível, sem empenho, sem atenção, ou seja, sem saber o que sinto não sei como agir! Isso, em um grau maior causa a sensação de perda, de desorientação e, por conseguinte, leva a escolhas equivocadas, caminhos fáceis que não levam aonde queremos chegar, mas a cada vez mais nos perdermos de nós mesmos.

O remédio: aceitar o caminho mais difícil, a investigação minuciosa de si mesmo todos os dias, a constante atenção às ações e reações. É um crime prostituir a palavra para esconder a verdade. Por mais demorado que possa ser, a palavra certa é a verdade e ela é mágica, é capaz de tudo. A palavra verdadeira rompe os limites.

© Dan Porto

www.danporto.com

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