Capítulo 40 - 1 de agosto (Sofia)

35 5 0
                                    

1 de agosto de 2016

Olá diário! Novamente!

Nem imaginas como começou a minha manhã. Não imaginas e é por isso mesmo que estou aqui. Aqui para, rapidamente, te contar o que se passou.

As Gémeas estão quase prontas para a nossa ida ao cinema, pelo que terei de ser rápida antes de elas passarem cá em casa com o carro. Vamos lá...

Stupid in Love, da Rihanna tocava pelo auricular esquerdo à medida que observava o movimento crescente da cidade. Apesar da melodia triste, era impossível não me contagiar com a sua história. Uma história que me fazia acreditar no amor. Naquele que temos de deixar ir porque não é o melhor. Tal como me aconteceu a mim, com o Carlos.

Já tinha corrido bastante.

Na verdade, nem me lembro da última vez que corri com tanta energia, mas foi no meio deste descanso que uma voz, já conhecida, me cumprimentou.

- Olá parceira de corrida! – cumprimentou-me Pedro, com um sorriso nervoso estampado no rosto.

Tirando, rapidamente, o auricular do ouvido, observei-o, à medida que se encostava ao vidro da ponte.

- Oh! Olá! – cumprimentei por fim. – Estavas aqui há muito tempo?

- Não. Foi mesmo agora. Vim agora do Parque do Avião e cortei para aqui...

- Que coincidência! – proclamei.

Parece que andávamos a ter muitas...

- E estás bem? Quero dizer... costumas correr sempre de manhã é? Ou é ocasionalmente?

- Oh, sim – comecei. Não sabia onde queria ele chegar com aquela pergunta. Mas que mal tinha? - Quero dizer, costumo variar entre a manhã e a tarde, mas gosto mais da manhã. Durante a tarde Leiria torna-se num autêntico forno gigante.

- A quem o dizes – retorquiu, rindo-se. Aquele seu riso encantador que te falei, sabes? – Que percursos costumas fazer?

Bem, já que tínhamos começado...

- Costumo sair de casa e desço, depois, por detrás dos prédios que ficam em cima do McDonalds, sabes? Ao pé da ponte? – e pensei "Oh Sofia. Daqui a nada estás a fazer-lhe um desenho". - Depois vou parar atrás do antigo Liceu e vou até ao Parque dos Mortos, sabes onde é, certo? – perguntei rapidamente, terminando o meu relato tão minucioso.

- Claro! As nossas praxes são quase todas lá.

Tonta! Nem me lembrei disso. Por acaso nunca o tinha imaginado de traje. Claramente que, agora, também não era o momento.

- Depois passo pelo jardim atrás e venho aqui parar por baixo – continuei a dizer, afastando o pensamento parvo.

- E eu vim por cima, pelo Parque do Avião.

Assenti, sorrindo-lhe.

- Queres correr comigo? Não devo correr muito, pelo que depois deixo-te onde quiseres e vou para casa...

Ok! Não esperava por aquela pergunta, mas olha que foi uma surpresa até agradável. Fiquei a pensar se aceitava, se iria com ele. Não teria mal nenhum, pois não?

- Eu também não posso demorar muito mais. Vou, depois, ter com as Gémeas... - desculpei-me, rapidamente, enquanto nada me surgia.

- Isso é um sim? – quis saber.

- Sim! – acabei por admitir.

Nem me tinha apercebido, completamente, da minha resposta. Mas, tal como dissera, iria ser feliz. E começava com estas pequenas coisas. Com um parceiro de corrida, por exemplo...

- Que percurso queres seguir? – perguntei-lhe.

- Eu sigo-te. Como tens de ir ter com elas depois deixo-te decidir. Não tenho mais nada para fazer...

Não posso negar o sentimento que a junção das palavras "eu" e "sigo-te" teve em mim. Claramente que não estava habituada a este tipo de atenção. Mas, muito provavelmente, ele dissera-o sem qualquer intenção. É simplesmente uma expressão normal, não é?

- Vamos então correr? – perguntei, afastando as dúvidas parvas.

- Bora! Parceira de corrida... - respondeu-me. E o meu coração, este músculo que se aloja aqui no meu peito e que ainda sara (sabes?), contentou-se.

- E posso saber o teu apelido? Dei-me conta que ainda não o sei. Preciso de ter algum nome para te chamar... - disse-lhe e pensei para mim "Sofia... Como se tu andasses a tratar os teus amigos pelos seus apelidos. Burra."

Mas ele riu-se. Parecia encantado.

- Bem... já tentaram saber o meu apelido de muitas maneiras, mas esta é nova. – disse, rindo-se a pregas soltas.

Nem me dignei a responder. Só me apetecia atirar-me para o rio.

- É Henriques. Pedro Henriques. E posso saber o da senhora Sofia? – perguntou, divertido.

- Sofia Santos! – acabei por responder, divertida com o rumo da conversa.

E assim continuou por um bom bocado. Corríamos bem os dois. Tínhamos um ritmo bastante idêntico, o que motivava ainda mais.

- É esta a tua casa? – acabei por perguntar, ao chegarmos a uma vivenda alegre. Fica numa rua calma e cheia de casas relativamente semelhantes umas às outras.

- Sim! – exclamou. Quase que podia jurar que tinha dito algo mais, mas uma timidez estranha invadira-lhe o rosto. – Queres ir correr amanhã? – atirou.

E eu pensei novamente "Ok, Pedro! Por esta também não esperava". Mas... opa, eu até gostei da companhia. Nunca tinha tido ninguém que corresse ao meu ritmo... não era, de todo, uma má ideia. Porque não dar uma abébia ao rapaz?

- Sim! Acho que pode ser, mas não tenho a certeza ainda... - disse-lhe. E era verdade em parte. As Gémeas poderiam ter já algo planeado sem que eu soubesse.

- Então, como poderás dizer-me? – quis saber. Parecia alarmado.

"Será que lhe dava o meu número de telemóvel?", perguntei-me mentalmente.

Não. Não era necessário. Mesmo tendo já o seu apelido, não fazia sentido.

- Se não quiseres diz... - retorquiu, vendo a minha falta de resposta.

- E se trocássemos o nosso perfil do Facebook? Eu depois mando-te mensagem por lá! – disse-lhe. Eu e a minha grande boca. Mas olha, até foi uma boa ideia. Se bem que, entre Facebook e número de telemóvel, não sei o que será mais intrusivo...

Já ele parecia ter adorado a ideia.

- Que ótima ideia! – proclamou.

Estendemos ambos os telemóveis um do outro e, em minutos, eramos já amigos.

E eu pensei, "Fazer amizades agora é isto?"

- Então depois digo-te algo, está bem? – disse-lhe, arrumando o telemóvel.

Ele assentiu e voltei a correr.

Que achas diário? Foi o que me lembrei. Os nervos têm um estranho domínio sobre mim, é o que é. Mas vá, o meu telemóvel já está a tocar. Até logo!

Vamos ver se não me esqueço de lhe dizer algo... Ao Pedro. Ao Pedro Henriques. O meu parceiro de corrida! (?)

Beijos,

Sofia


P.S.: Ficas Comigo? (Nova Edição)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora