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Capítulo Treze: Ajuste de Contas

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"Na noite em que tudo aconteceu, ouvi Bortoli e Marovarola a conspirar contra mim. Desde aquele momento, soube que nunca poderia confiar naqueles dois. Nunca. A minha armadilha teria sido o fim de todos eles, se os homens de Cooper Ravoli não tivessem chegado tão cedo, contra todas as expectativas. Depois daquela noite, tudo mudou. Fui um foragido por um par de dias. Queria fugir com Lucilla e fazer uma vida ao seu lado. Ouvia o fragor dos comboios a vapor e sonhava com liberdade. Quando Luce foi capturada, jurei a mim mesmo que vingar-me-ia deles. Um por um. De todos eles. De todos eles."

De um ímpeto, Língua de Ferro ergueu-se, pegou em Apalasi com as duas mãos e levou-a acima da cabeça. Os seus músculos vigorosos eram balões sombreados pelos reflexos azuis das colgaduras. A sua expressão facial, emoldurada por uma cascata de melenas azul-turquesa, era terrível. Com perícia e agilidade, Língua de Ferro fez descer rapidamente a espada na direção de Vance, que limitou-se a sorrir. A espada parou a um centímetro da sua testa. Por mais força que Língua de Ferro fizesse, os braços contraíam-se e negavam-lhe a oportunidade de golpear o inimigo. Uma ruga de terror formou-se-lhe entre os olhos. Havia uma qualquer barreira física a travar o ataque, embora nada que lhe fosse visível ou compreensível. A pressão que lhe bloqueava o ataque era tão forte que obrigou-se a largar a espada e deixá-la a tamborilar junto aos seus pés. A respiração do salteador era sôfrega, tentando recuperar o auto-controlo.

― Que espécie de poderes são estes?

Vance sorriu.

― Demasiado simples para que mentes tão complexas como a tua compreendam com recurso ao verbo. Forças opulentas em contraste têm trabalhado em silêncio, ignorando o rumor dos homens. Não é essencial para essas forças que compreendas, para que não as empregues com ostentação. És um mero veículo de essência, um peão no jogo da vida.

O homem sabia que reduzir Língua de Ferro a um simples peão não o iria coagir a ajudá-lo. O salteador cerrou os dentes e investiu contra Vance com tudo o que tinha. Os ombros maciços de Língua de Ferro contraíram-se e avançou. Jupett Vance não se esquivou ao ataque. Parou um murro com uma mão e sentiu o corpo de Língua de Ferro a pressioná-lo contra uma parede. Limitava-se a sorrir. O impacto fez a parede sacudir-se e brechas abriram-se à sua volta. Uma sombra de poeira envolveu os dois guerreiros, quando Vance pegou em Língua de Ferro pelo cabelo e puxou-lhe a cabeça para trás. O mercenário rugiu de dor e perdeu o chão quando as pernas de Vance se enlearam nas suas como uma serpente. Sem saber como, estava a cair sentado no chão, enquanto o homem cego parecia não perder a expressão divertida nem sofrer nenhuma sequela. Vance sacudiu a poeira dos ombros e cuspiu-lhe para cima.

Língua de Ferro fechou os olhos e limpou a cara com o antebraço.

― Não serei o teu peão, aborto...

― Não serás o meu peão. Ambos somos peões da essência. Ser reclamados por ela é uma honra, mas é cedo para perceberes isso. Estou disposto a perdoar a tua impetuosidade, se compreenderes que é imperial a nossa intervenção para corrigir o percurso do Fluído. Pensa em ti como um herói, se preferires, que encontra um animal caído numa armadilha. A tua moral obriga-te a salvar o animal, retirar-lhe os galhos afundados na carne e tratar dele, até que esteja recuperado e consiga cumprir o curso natural da sua vida. É disso que se trata.

― Não é uma questão de moral ― cuspiu Língua de Ferro.

― Talvez seja ― rugiu Vance, perdendo o sorriso no rosto. ― Talvez seja um acerto de contas. A essência sabe o que fizeste. Até que ponto estás disposto a expiar os teus erros, Leidviges Valentina? O que ganhaste com tudo o que fizeste até hoje? Talvez seja a oportunidade de fazer o que é certo, por uma vez que seja.

Língua de Ferro - Um Sacana QualquerRead this story for FREE!