Célia Acorda

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Célia acorda e se espreguiça, seus olhos abrem devagar, a cama é convidativa e muito macia, sentia-se calma e relaxada, o edredom é macio e leve, mas é grosso e branquinho como a neve, ela desliza a mão sobre a coberta e percebe que não está em sua casa, as paredes parecem cobertas de tapetes percas e em tom de vermelhos e com desenhos magníficos e se senta rapidamente na cama com os olhos arregalados e percorre o olhar pelo quarto que é enorme, um conjunto de sofá faz parte da decoração e uma mesa com duas cadeiras logo ao lado da cama, do dossel sai véus brancos e vermelhos como se fossem cortinas, leva a mão ao rosto e aos cabelos e percebe que estão curtos e ondulados e desce correndo da cama, seu seios doem horrores, mas alcança o espelho do outro lado da cama e se espanta, estava com cabelos ondulados e até os ombros, usava uma camisola de seda e um sutiã cirúrgico e pôs as mãos nos seios e os apertou de leve.

_ "Puta Merda". _ Diz ela em um sussurro e volta a olhar o quarto e abre a cortina da janela e se afasta ao ver que caia neve lá fora e estavam no meio do nada, apenas algumas arvores balançavam ao longe.

_ Boa tarde!... _ diz uma voz conhecida e Célia se vira rapidamente assustada.

_ Onde estamos Jacob?... Cadê meu marido e meu filho?... _ Célia sobe na cama e fica em pé, se caso ele tentasse pegá-la, iria correr.

_ Do que está falando meu amor!?... Eu sou seu marido!... Se esqueceu do nosso acordo!?... _ Ele ri e vai até a mesa e Poe um pouco de chá em uma xícara de porcelana e a convida a se sentar para tomar o café.

_ O que fez com eles?... _ Célia está assustada e ofegante.

_ Nada!... _ Jacob conserva o sorriso no rosto. _ Estão muito bem pelo que eu sei, em casa e curtindo o luto.

_ Jacob... Quero ir para casa!... Eu tenho uma família e um filho... Ele deve estar sofrendo com minha ausência... Juro que não conto que foi você que me sequestrou... _ Célia tem a voz embargada.

_ Sequestrei?!... Não minha querida!... Eu só fui buscar o que é meu e paguei caro por você!... _ Jacob da um gole generoso de chá e senta-se à mesa e a convida novamente com a mão.

_ Isso já tem mais de três anos... Eu me casei e tenho uma família agora e você não pode fazer isso comigo?... Não pode me manter aqui dentro!... _ Ela se senta na cama e chora.

_ E quem disse que vou te manter aqui dentro!?... Você é minha esposa e vai sair comigo e frequentar festas e coquetéis... _ ele da um gole no chá. _ Vamos!... Pare de chorar e venha tomar seu café!... Precisa se recuperar da cirurgia...

_ Que cirurgia?!... _ Célia o encara perplexa.

_ Não percebeu que está usando um sutiã cirúrgico!?... Seus seios ficaram lindos e firmes agora!... A gravidez não favoreceu seus seios!... E eu gosto do jeito que eles eram... Só modifiquei um pouquinho!... _ Ele se diverte com o que fala.

_ Quando foi isso?... Por que não me lembro de nada!?... _ Célia olha em volta do quarto.

_ Colocamos você para dormir logo que saímos do prédio!... _ Jacob apoia o cotovelo na mesa e a olha com um sorriso de satisfação.

_ Por que fez isso?... Você quase matou a todos dentro daquele fórum Jacob, você baleou meu colega... Ele estava desarmado e podia ter dado apenas um murro e posto ele para dormir, mas você atirou nele... E no meu segurança... Como pode mata-lo assim?!

_ E queria que eu fizesse o que?... Ele apontou a arma para mim e eu atirei... Agora o seu coleguinha estava muito preocupado com você!... Parecia seu marido te defendendo!

_ Quero voltar para a minha casa Jacob!... Isso não vai ficar assim!... Vão saber que você me sequestrou...

_ Não querida!... Você não escutou o que falei!... _ Ele se inclina e se apoia nos joelhos. _ Você está morta para eles!... Eu simulei sua morte e jamais vão desconfiar que não é você!... _ Ele sorri.

_ Jacob!... O que você fez!?... Você matou outra pessoa... _ Ela entra em desespero. _ Há quanto tempo eu estou aqui?

_ E para que quer saber? _ Ele se levanta e vai até a beirada da cama, mas não se senta.

_ Quero ter uma noção do quanto é doente!... _ Ela esbraveja e deixa as lágrimas rolarem e o encara.

_ Fazem quinze dias...

_ Quinze dias que me mantém drogada?! ... _ Célia se levanta da cama.

_ Drogada não é bem a palavra, mas te colocamos para dormir e fizemos todo o trajeto de avião e levamos você para o hospital e mantivemos você em coma induzido, fez a cirurgia e tratamos dos seus hematomas que provoquei quando ficou presa no navio...

_ Jacob!... Me mande de volta para casa!... _ Ela chora. _ Quero meu filho!... Meu marido!

_ Você não pertence mais àquela vida... E nem se chama mais Célia!... _ Ele vai até a mesa e pega um cartão vermelho com um carimbo dourado da republica turca e lhe entrega, sua foto e a dele estão presas no cartão.

_ Que nome é esse?... Como se diz!? _ Ela enxuga as lágrimas e o olha.

_ Berguzar kassim Haydd... Esse era o nome da minha esposa!

_ Você foi casado?... O que aconteceu com ela?

_ Morreu! _ Ele fala com naturalidade como não se importasse.

_ Você a matou?!_ Célia o olha com medo

_ Digamos que... Sumiu em alto mar!... _ Diz ele se virando e volta a se sentar na cadeira e se serve de mais chá.

_ Você é um monstro, pervertido e não tem escrúpulos!... _Ela joga o cartão sobre a mesa. _Que acordo é esse que não me lembro.

Jacob pega o controle da TV e aperta um botão e uma enorme Tv sai debaixo da cama e ela liga automaticamente e lá está um vídeo dela bêbada e a voz de Jacob começa.

_ "você vai ser minha esposa e vai se comportar como tal"... Vai se dedicar a mim e será carinhosa e me amar sempre que eu pedir!... Você entendeu?

_ Sim!... Ela responde totalmente drogada.

_ Se você não fizer o que eu pedir, vou mandar matar seu filho e seu marido e sua mãe... Entendeu?

_ Sim!... _ Sua cabeça tomba sonolenta, Jacob segura e a faz olhar para a câmera.

A imagem dele com o menino no jardim da casa dela são mostrados e ela leva a mão à boca e chora.

_ Você esteve com ele?!... Como conseguiu entrar no condomínio e na minha casa?

_ Foi muito fácil... Existem duas casas a venda no condomínio e uma delas da para os fundos de sua casa, tenho toda a visão que preciso, e eu pedi para uma corretora me mostrar, sua mãe estava com seu filho no jardim da frente e eu parei e conversamos pedindo informações sobre o local se era seguro e peguei seu filho, sua mãe me convidou para entrar e tomar um café... E eu aproveitei e fiz um pequeno filminho dele comigo!... Só não trouxe comigo por que sou contra matar crianças!... E teria que matar um para simular outra morte... E não era o que eu queria!

_ Fez bem!... _ Ela funga e a imagem do rostinho de Jimmy está congelada, as lágrimas descem.

_ Se você tentar fugir... Eu mato... Se tentar me matar... Ele morre... Se tentar qualquer coisa e tentar falar com eles... Ele morre!... _ Jacob se levanta e vai até ela e a encara ameaçadoramente. _ Entendeu bem?!

_ Ele é só uma criança Jacob!...Ele precisa da mãe!... Por favor?... Me deixe voltar para casa!... Eu vou enlouquecer!... _ Ela cobre o rosto com as mãos e chora.



Célia (Volume 2)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora