Capítulo 2

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Leia ouvindo: You - Petit Biscuit•

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Era o dia do meu décimo oitavo aniversário, eu havia saído de casa ás 4h da manhã. Eu estaria viajando de Vancouver para a Grécia a trabalho, e para aprofundar meus conhecimentos por mitologia, que sempre foi algo que me chamou atenção por motivos que nem eu mesma sei explicar.

Despedi de Hellena, minha mãe, e vi que ela carregava em si, um olhar de muito mais dor que o olhar triste da saudades que pra ela, eu já estava fazendo. Eu não entendi o porquê daquilo.

- Tenha cuidado minha filha. - Eu peguei minhas malas de suas mãos, e fui em direção à porta.

- Com certeza. - Eu dei uma última ajeitada em meu cabelo, que estava preso, mas alguns fios da minha franja caíam em meu olho.

- Promete tomar cuidado? - Ela estava com os braços trêmulos, assenti com a cabeça.

- E lembre-se... Confie sempre em você mesma, e não duvide da sua capacidade para alcançar as coisas, eu te amo, minha filha. - Seus olhos azuis estavam marejando, ela me abraçou forte.

- Obrigada mãe, eu também te amo, manterei contato conforme as escalas da viagem. Até mais. - Eu arrastava as malas até o elevador.

Olhei uma última vez para trás, e sorri. Minha mãe começou a chorar, e sussurrei mais uma vez a ela: Eu te amo... Ela sorriu, e a porta do elevador se fechou.

Meus 18 anos... Entrei no elevador, apertei o andar do térreo, e de repente um tipo de filme se passou pela minha cabeça. Todos os momentos que vivi com minha mãe, as poucas lembranças de meu pai, que havia morrido em um acidente quando nasci, e a minha memória mais recente, da festa de despedida que recebi no dia anterior pelos poucos amigos que tenho... Eu já estava sentindo saudades.

Não deu tempo de pensar tanto, porque em poucos instantes a porta do elevador se abriu, puxei minhas malas até a recepção, e quando saí do apartamento, eu o olhei do último ao primeiro andar, eu estava sentindo algo estranho dentro de mim, mas, ignorei.

Minha paranóia estava me atacando, mas, era só a dor de sair de casa, a ansiedade de finalmente pegar a minha independência como pessoa, e a tamanha responsabilidade.

O táxi já estava á minha espera, para me levar ao aeroporto internacional. A motorista saiu e colocou minhas bagagens dentro do porta-malas, entrei no banco de trás, e ela no da frente, começou a dirigir.

Era muito bonita, tinha os cabelos pretos que eram bastante ondulados, os olhos incrivelmente da cor cinza, lábios carnudos acompanhados de um batom bem vermelho, e a pele branca, o seu olhar era confiante.

Acomodei-me no carro, e tirei da minha bolsa, um dos livros do Percy Jackson. Meus favoritos. Passaram cerca de 25min que eu estava no táxi, lendo. Quando de repente, desviei meu olhar um pouco do livro, e quando olhei para frente, havia um cruzamento, e o sinal estava quase se fechando, mas, o táxi estava em alta velocidade e não desacelerava.

- EI MOÇA, DESACELERA! - Eu comecei a entrar em pânico, não sabia o que fazer, e cada vez mais, nós estávamos próximas do sinal fechado, e do cruzamento. Comecei a me preocupar, mas, vi que nada estava adiantando, o sinal já estava perto demais, e a motorista não fazia nada, olhei para meu lado direito, e outro carro estava ao nosso encontro, fechei os olhos.

Tudo que fui capaz de sentir foi o carro batendo na janela ao meu lado, os vidros se quebrando, e algo muito quente fez com que eu não sentisse mais minha perna direita. Com o impacto, fiquei inconsciente.

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