CAPÍTULO 1

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CAPÍTULO 1

          Vamos deixar uma coisa bem clara antes de tudo começar. Isso não passou de uma grande e impensável brincadeira sem sentido da minha cabeça, como eu posso dizer de um jeito mais prático, eu acabei ficando louco. Esse seria o jeito mais fácil de descrever tudo que me aconteceu nessas últimas horas. Até porque, não tem outro jeito de dizer que um objeto começou a falar e em seguida tomou uma forma humana sem parecer que você está louco.

          Mas, pensando com calma, pode não ser loucura, talvez eu tenha apenas morrido e ainda não me dei conta, essa com certeza pode ser uma alternativa válida. Porém, eu só pensava que o céu seria um lugar onde haveria anjos e uma grande nuvem da qual ninguém cairia. Sabe? Aquela coisa bem no estilo hollywoodiano, com portões dourados e trombetas tocando ao fundo enquanto uma fila de pessoas passa.

          — Ei, mestre, o senhor está bem? — Meus olhos lutavam para se manterem fechados, mas a curiosidade fazia com que eles quisessem se abrir em direção a voz que vinha da parte de cima da minha cabeça. — Ei! Me responda, eu não te machuquei, não é, mestre? — A voz forçou seus pequenos dedos na minha testa, no exato lugar onde havia batido momentos atrás.

          — Ai, isso dói! — Eu disse enquanto batia na mão dela.

          Eu me levantei lentamente e abri os olhos, na minha frente estavam as caixas da mudança do meu avô, caídas. Tudo estava jogado pelo chão, roupas, peças de xadrez, livros e algumas cartas... Tudo aquilo que estava nas caixas que eu carregava até pouco tempo agora estava espalhados por todo lado.

          — Mestre, você vai me ignorar até quando? Nós precisamos fazer o pacto sabe... — A voz continuava a falar nas minhas costas, mas eu preferi ignorá-la por enquanto e me focar em lembrar do que tinha acontecido até agora. Sim, isso seria o melhor a fazer.

          Tudo começou quando meu avô ligou pedindo para que eu fosse ajudar a arrumar a mudança dele. No final do ano, ele iria para outra cidade, sendo assim, ele me pediu para vir ajudar a organizar as caixas que seriam levadas para doação.

          Depois de caminhar por mais de trinta minutos, eu cheguei na casa dele completamente cansado. Assim que entrei, ele veio me xingando por ter demorado muito e dizendo que todas as caixas estavam no porão.

          Mesmo assim, eu ainda continuei com a minha boa vontade e fui ajudar a levar as caixas. O lugar estava entupido de todo tipo de coisas, só de olhar já dava para imaginar que levaria por volta de meia hora para organizar tudo aquilo.

          Eu comecei a levar cada uma lentamente até a sala de estar, depois da sétima caixa, eu decidi parar para descansar um pouco. Foi então que tudo começou, uma voz fina veio de um algum lugar que eu não conseguia ver, a minha maldita curiosidade fez com que eu fosse atrás do som.

          Eu revirei as duas últimas caixas que tinham sido colocadas no chão para só então ir mexer na primeira a ser deixada, como toda boa ironia, vai estar sempre no último local em que você procura.

          Assim que eu abri a última caixa, um espelho caiu no meu pé. Um pequeno espelho com desenhos de uma lua sobre um sol, como se fosse um eclipse.

          Ao tocar o espelho, eu pude ouvir a voz novamente. E ela disse algo do tipo "finalmente te achei, mestre!" e assim que olhei meu reflexo nele, uma luz brilhante me cegou e fez com que eu caísse batendo a cabeça na parede. Depois disso, a voz passou a ter uma forma mais definida.

          — Já terminou seu flashback mental, mestre?

          — Sim, terminei! — respondi no impulso. — Espera, como assim? — Me virando para a origem da voz, eu tive uma surpresa.

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