Preciso de remendos para meu coração quebrado.

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     Henrique. Esse é o nome do homem por quem me apaixonei, o ser que está me fazendo perder toda a concentração da aula de Biologia. Como posso entender Genética , se não consigo parar de pensar em um par de olhos azuis me encarando cheios de sentimentos ?Acho que nunca vou conseguir entender como aquele músico maravilhoso se interessou por mim.

      Henri é completamente divino em tudo que faz. Estou encrencada, se meu cérebro já não reagia bem com apenas sua presença, agora que provei do corpo então me tornei dependente. Fecho os olhos e me deixo viajar novamente para nosso final de semana perfeito. Tudo foi tão intenso que posso até sentir os toques de Henrique sobre minha pele, sua boca na minha, suas mãos percorrendo meu corpo, nossa respiração entrecortada... Isso deve ser efeito da saudade.

     Sim, a saudade, hoje já é quinta feira. Meu namorado volta de Lisboa amanhã e meu corpo já se encontra em colapso nervoso devido à abstinência de seus carinhos. Se existisse uma injeção ou vacina para me fazer reagir melhor à ausência de Henrique provavelmente eu já teria me dopado, porque apenas uma dose não seria o suficiente para me fazer lidar bem com a sua ausência.

      Na segunda feira, véspera de seu dia de viagem nos passamos todo nosso tempo livre juntos, pois de acordo com ele sentiríamos muito a falta um do outro. E sinceramente ele estava certo. Quero só ver como vai ser quando essas viagens se tornarem frequentes e mais longas, com certeza irão me internar numa clinica de reabilitação para dependentes, e quando o Henri chegar vão me libertar e dizer '' Olhe só, foi difícil, mas ela conseguiu, um mês sem o Henrique''. Vai ser algo tão surpreendente que irei fazer parte daqueles grupos de apoio para pessoas que são dependentes de outras pessoas assim como eu. Em minha primeira reunião direi '' Olá meu nome é Bianca e suportei um mês longe do cara que amo'', '' muito bem Bianca você é um exemplo para nós '' eles dirão.

      Por incrível que pareça existem vários tipos de dependência hoje em dia. E quando se estuda a área da saúde você descobre tantos, que chega a ser assustador, semana passada debatemos o caso de pessoas dependentes virtuais, aquelas que vivem em função de redes sociais e aparelhos eletrônicos. São tantos casos, que não consegui não sentir pena, eles perdendo a vida toda nas redes sociais enquanto o mundo real está ai todo lindo e pedindo para ser desfrutado.

      E falando em desfrutar até que Henri está se divertindo um pouco em sua viagem de trabalho. A galeria de meu celular se encontra completamente cheia com fotos dele em Lisboa. Nos último dois dia recebeu fotografias suas em todos os pontos turísticos que frequentou , Museu Coleção Bernardo, Praça do Comércio, Torre de Belém , Castelo de São Jorge,eram tantos lugares que nem consegui decorar todos os nomes. Sua justificativa para tantas imagens era de que pelo menos enviando as fotos ele se faria presente e eu me sentiria na cidade, mesmo que de longe. Argumentei com ele que se quisesse conhecer o lugar poderia pesquisar no Google, mas Henrique ficou ressentido e falou que as fotografias do Google não o teriam, e desta forma não serviriam.

        Não posso negar que senti muita vontade de viajar com ele, mas muitas coisas me impediam. Primeiro a questão burocrática do passaporte, depois a questão do trabalho e faculdade e por ultimo, mas não menos importante: meus pais. Nem se quer me atrevi a contar para eles sobre meu namoro, nem passa pela cabeça dos dois que passei o final de semana em uma casa de praia com o namorado. Mas o que posso fazer? Sei que se tivesse pedido permissão para curtir o final de semana com o Henri eles não deixariam mesmo.

       Meus pais são bons, mas ao mesmo tempo são muito antigos. Vivem em um mundinho que é só deles, e todos os dias tento quebrar as barreiras que eles impõem sobre minha vida. São muitas ordens a seguir, como se tivessem criado um manual apenas para eu seguir. Mal sabem eles que já burlei umas 40 das regras ditadas para meu ''bem''. Só em estar aqui longe daquela fazenda já é prova de que não segui o manualzinho como deveria. Até gosto de lá, amo meus progenitores, mas não sei se considero aquele lugar a minha casa. Acho que casa é onde a gente se sente livre, onde seu corpo e sua alma se sentem felizes, e não estou falando apenas de um imóvel em si. A casa pode ser uma pessoa, uma arvore um animal, um sonho, algo que te faça querer continuar vivendo, que te dê a chance de ser quem é. E aqui nessa cidade eu sinto esse desejo em minha faculdade, minhas amizades, meu trabalho , meu namoro. Tudo aqui é o meu lar.

Ao som das batidas do seu coração .Leia esta história GRATUITAMENTE!