Capítulo Quinze

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"Adaptação

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"Adaptação."

Sábado, 23 de março de 2002


Acordei há pouco. Estou na cama, toda esticada, enquanto a luz do sol invade pela janela. Continuamos na casa que alugamos em Gandu. O clima está agradável. Choveu no finalzinho da noite, o que me fez bem. Gostei do ar dessa cidade. Escrevo para narrar os melhores momentos do show de ontem. Não prolongarei o relato, devido ao meu cansaço, mas tentarei enfatizar bem os acontecimentos. Fomos entrevistados pela simpática Kátia Skariny. Ao deixarmos a rádio, viemos para casa e passamos horas nos aprontando, dividindo o banheiro e trajando novos figurinos. Por um lado foi bom, pois garantiu-nos boas risadas e o Andrei contou casos engraçados de sua época de garagem.

"Quando não tinha empresários, eu não contava com hotel ou tampouco camarim. Era tudo na marra!"

Tive a sorte grande de começar minha carreira numa banda de peso. Enquanto sorríamos e víamos o tempo passar, dávamos os últimos retoques. A demora foi por causa do único banheiro disponível na casa, e mais: dois únicos espelhos! O número de mulheres também não favoreceu o tempo, porque haja pele e rosto para maquiar e cabelos para pentear! Tiramos uma clássica foto com todos reunidos na sala e esperamos a chegada das vinte e três e meia.

A praça da cidade estava lotada! Uma banda local estava se apresentando antes de nós; mesmo daqui era possível escutar a cantoria da multidão.

Senti tanta falta do Rick, que meus colegas fizeram de tudo para manter o meu ânimo lá em cima. Na hora da fotografia, tentei imaginar como seria tê-lo ao meu lado. Estou imaginando agora onde ele deve estar... Bobagem. Ainda bem que antes de partir, tiramos fotos nesta casa, um ambiente que de última hora se tornou especial.

O nosso ônibus nos recebeu faltando vinte minutos para a meia noite. Posamos ao lado de vários fãs lá embaixo, na frente da casa, e zarpamos para a praça, a nos refugiar no camarim, atrás do palco. Reencontramos a Kátia, o Luís e toda a comitiva da rádio. Fomos cumprimentados pelo prefeito, a primeira dama e alguns vereadores. Um apresentador animado fazia a galera gritar a cada minuto. Meu assistente ajustou o meu retorno, entregou o meu fone e desejou-me boa sorte. A praça da cidade fica ainda mais viva quando vista de cima, pois existe um círculo repleto de luzes, balões e bandeirolas, que juntos se refletem nas águas do lago.

Quando foi dada a largada, subi com as mãos erguidas; passei pela cortina de fumaça e saudei a multidão. O pessoal fez o possível para nos ver em um bom ângulo. Datei gente em cima de gente, em cima de árvores, de casas, postes, muros, barracas... Um fascínio descomunal! Um show de pura fantasia, no melhor sentido racional, sob o qual eu entoei e lambei sem a presença do meu anjo.

A ausência do Rick foi ainda mais tocante quando eu e o Andrei cantamos o dueto que tanto nos marcou. Ninguém fez ideia do quanto senti saudade, porque todo mundo viajou no embalo do som.

O Canto da ValquíriaLeia esta história GRATUITAMENTE!