Por mais que Martha mão gostasse de mim, ela estava me tolerando dia após dia. Até conseguia entender o motivo, já que eram apenas eles dois, pois o pai Lex dele, George, havia os abandonado há anos sem nem dar notícias. Não sabemos ao certo o que houve, bem, pelo menos eu, já que foi isso que Alex tinha me contado. Então não restava muita coisa a Martha, a não ser eu e Natasha, que aparecia as vezes, para estar ao seu lado.

Por o incrível que pareça, eu e a biscate não estávamos brigando. Não tínhamos animo para isso, eu não tinha anônimo, agora ela, não sei ao certo, deveria estar planejando algo diabólico para aprontar. Pelo que fiquei sabendo através de Martha era que Lex e Natasha tinham voltado, para a minha completa infelicidade. Nem preciso dizer o quanto aquilo me deixava mal, não é? Eu poderia simplesmente pegar minhas coisas e ir embora da cidade, Lex não precisava saber que eu havia ido atrás dele aquela noite, e muito menos que eu continuava aqui como um cão sem dono esperando por ele. Não podia estragar seu namoro a troco de nada, pois se ele estava com Natasha, certamente a amava. Ponto. Quem era eu nessa equação? Um zero a esquerda, só isso. Não fazia mesmo diferença se eu continuasse ali ou não. Certo? Mas não, eu ainda estava ali.

Passava horas sentado na cafeteira do hospital enchendo a cara de café enquanto esperava por qualquer sinal positivo que fosse de Lex. As vezes Gabe, um dos enfermeiros me fazia companhia, até que ele era bem agradável e conseguia me fazer rir nas horas que eu estava me esvaindo em lágrimas.

Ele respondia ao tratamento de maneira lenta, chegaram a tirar ele do coma induzido e as ferragens de duas pernas, mas para a nossa tristeza Lex não acordou. Parecia que o quadro do meu amigo tinha se estagnado após algum tempo. Semana após semana as coisas continuavam as mesmas, e foi ai que se tornaram meses. Não conseguia mais me lembrar se já eram quatro ou cinco, eu havia parado de contar depois do vigésimo dia. Sentia que tinha algo de errado, algo que não estavam me contando, algo que até mesmo Martha deveria estar escondendo.

Apoiei meus cotovelos na mesa e segurei minha cabeça que estava baixa, e comecei a chorar como das outras vezes. Eu não aguentava mais aquela agonia de não poder vê-lo, de não poder ouvir a sua voz, de não ver o seu sorriso. Aquilo tudo doía tanto dentro de meu peito. Precisava tanto dele. Tanto. E isso que me fazia a não ir embora, essa minha dependência doentia.

Senti uma mão fina tocar em meu braço de leve, e não levantei a cabeça para ver quer era, eu reconhecia aquelas unhas pintadas de rosa de longe. Natasha. Sequei meu rosto e peguei meu copo de café, dando um gole, fingindo que nada estava acontecendo como se ela fosse idiota o bastante para não perceber meu nariz vermelho.

– Não precisa parar de chorar por minha causa. – Ela disse sentando-se na minha frente. – É completamente normal chorar por causa de alguém que amamos. – A encarei naquele momento me fingindo de sonso. – Qual é Mike? Nós dois sabemos que me odeia por namorar com o Lex pelo simples fato de você ser apaixonado por ele. Não precisa fingir para mim. – Falou dando um sorrisinho mínimo no final. O que ela pretendia com aquilo? Estreitei meus olhos e esperei por mais. – Só me pergunto o motivo de vocês não se falarem mais, sabe, eram tão amigos. – Ergui uma sobrancelha me perguntando até onde Natasha sabia. – O que aconteceu assim de tão grave para isso?

- Se seu próprio namorado não te contou, por quê eu deveria te contar? – Cruzei meus braços e torci os lábios. – Se acha que foi por sua causa, pode ir tirando seu pônei da chuva. – Dei um gole em seu café.

- Hm, sabe. – Começou, enquanto fazia um desenho qualquer com o indicador sobre a mesa. – Me pergunto se ele vai querer falar com você. – Seus olhos azuis se me olhavam, e um sorriso de lado surgiu em seus lábios. Ela estava pronta para soltar o veneno. – Já que Lex não suportava nem ao menos ouvir o seu nome. – Aquilo me atingiu como uma facada no peito, mas não deixei transparecer. – Para ser sincera ele tem nojo, na verdade sempre teve pelo fato de você ser gay e essa coisa toda. – Fez um gesto banal com a mão. – Mas sabe como ele é, Lex tem o coração mole demais, e ficava com pena de dispensar a sua amizade, já que nem a sua família te suportava. – O copo de café começou a ser apertado entre meus dedos, e eu queria muito jogar aquele líquido quente na cara daquela garota e vela gritar por causa daquilo. – Então eu acho que seria a chance perfeita para você pegar e puf, desaparecer de vez da vida dele. O que acha? – Abriu um sorriso largo deixando seus dentes brancos a mostra, como um cavalo.

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