Conflitos Antigos

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Capítulo 19

Conflitos Antigos

           E como eu havia previsto, aquele pivete havia causado uma confusão enorme para o resto do Divino. Se era estranho ele querer manter uma prisioneira em sua própria residência pelo menos o ataque que acabou de começar deixava claro qual era sua intenção desde o início: atrair aqueles Amaldiçoados para a escola. Mas por que ele queria que eles viessem até aqui?


          Sem dúvida ele diria para o resto da diretoria que seu objetivo era pegar a guilda inteira, mas, se fosse assim, ele teria avisado. Não, conhecendo ele, era algo pessoal. Havia alguém naquela guilda que ele queria na escola. E sabendo da história dele, não, a ideia de que era aquela pessoa que ele estava tentando atrair não era muito agradável.

          Olhando pela janela do térreo, era possível ver a onda negra se movendo pelo chão enquanto gritos soavam pelas outras construções. Muitos dos alunos nunca haviam sequer visto um Resquício antes, então era óbvio que alguns insetos e outras pestes seriam o suficiente para assustá-los ao ponto de se trancarem em seus dormitórios. Os invasores queriam o caminho o mais livre possível, e pelo menos eles eram mais fáceis de se ler. Eles queriam a companheira deles de volta, e ao menos um deles queria acertar as contas com o pivete. Então não demoraria muito até que alguém aparecesse na diretoria e desse de cara comigo.

          Apertando meus punhos, desejei com todas as minhas forças que eu estivesse errada quanto à minha suspeita, embora eu dificilmente errasse no geral. Principalmente quando se tratava de homens. Mas, infelizmente, mais uma vez eles falharam em atender minhas expectativas, a porta da diretoria se abrindo para revelar um jovem de cabelos vermelhos com a expressão de um homem pronto para derramar sangue.

          Respirando fundo, tentei impedir que minhas emoções continuassem sobre controle. Se fosse para lidar com ele, eu não poderia deixar nada passar.

          — Tem ideia de quantos problemas você me causou com esse sumiço, Brayan?

         Ele também deu uma leve respirada, aparentemente tentando manter a calma. — Desculpe, não tive muito tempo para fazer minha escolha.

          — E então você achou que seria uma boa ideia virar um Amaldiçoado.

          — Até onde me lembro, eu já havia pedido para deixar a escola antes.

          — Bem, pelo menos das outras vezes você não virou um criminoso.

          — E até onde eu me lembro, você não me deixou ir mesmo assim.

          O garoto estava ficando bom nisso. Talvez tivesse sido bom ele ter fugido, seria mais complicado mantê-lo preso se ele desbancasse todos os meus argumentos. Não que isso compensasse o fato de eu ter passado os últimos dois meses presa dentro do prédio da diretoria.

          — Suspeito que você não tenha vindo pedir desculpas por essa pequena aventura, não? — Essa era uma pergunta idiota. Mas precisava fazer com que a guarda dele se abaixasse de alguma forma.

          — Não acho que seja eu quem deva pedir desculpas.

          Não consegui dizer se ele estava se referindo a mim ou ao pivete, mas já era mais do que óbvio que um dos dois não sairia deste prédio vivo se eu não fizesse algo. Uma pequena voz no fundo da minha mente dizia que eu deveria deixá-lo passar, que os motivos dele para matar o pivete eram justos. Mas havia coisas mais importantes em jogo.

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