Entre Irmãos

381 18 0


O primeiro sentimento de Dylan foi raiva, muita raiva. Raiva pelo o que o irmão Kevin tinha feito. Raiva por ter permitido que ele fizesse. Poderia muito bem ter impedido, claro que sim. Bastava um chute ou um soco. Mas teve medo, medo de acordar os pais, medo da reação do próprio irmão, que estava embriagado e excitado. No fim, deixou que ele o usasse. Jamais tinha se sentido tão sujo...

Mas, a bem da verdade, apesar da dor, até que tinha sentido um pouco de prazer. Isso o deixava com mais raiva ainda.

Eu pertenço ao Jake, só ele. Ninguém tem o direito de me tocar, nem mesmo o meu irmão perturbado.

Naquela noite, depois de ter sido deixado sozinho no quarto, o skatista não conseguiu voltar a dormir. Por mais que se virasse de um lado para o outro na cama, o sono simplesmente não chegava. O estupro tinha lhe deixado inquieto. Sim, aquilo era um estupro, afinal de contas, o skatista não queria que acontecesse.

Frustrado, o adolescente pulou da cama, quase cinco horas da manhã e saiu do quarto. Ainda sentia a parte de trás úmida, mas não se importou. Desceu as escadas e foi para a cozinha, beber um pouco de água da geladeira. Depois caminhou até a sala de estar e sentou-se no sofá, ligando a televisão. Por algum tempo, ficou assistindo desenhos, lembrando-se da época que acordava cedo e ficava ali, naquela mesma sala, vendo seus programas favoritos. Sentiu-se com dez anos de novo.

Mas naquela época, tudo era diferente. Kevin não era um idiota bêbado e eu nem sabia o que era sexo. Quando foi que perdi minha inocência? Talvez com onze ou doze...

Pensar no irmão deixava Dylan com raiva. Aonde poderia estar naquele momento? Teria algum lugar para ir? Seja onde for que Kevin estivesse, o skatista não queria nem saber. Podia nunca mais voltar que ele não se importava. Adoraria ser filho único. Odiava-o com todas as suas forças.

O sono finalmente veio quando o dia estava clareando. Dylan Jones adormeceu ali no sofá, com a televisão ligada e o controle remoto na mão. Só foi acordar um tempo depois, quando sua mãe apareceu.

-Dylan – A mulher balançou seu braço – Acorde... O que faz aqui?

-Hm...

Por um momento, Dylan achou que tudo não tinha passado de um pesadelo. Achou que Kevin ainda estava lá em cima no quarto, dormindo profundamente. Mas isso não durou muito tempo. Se estava dormindo no sofá, é por que teve motivos pra isso. Sentou-se, bocejou e olhou para a mãe.

-Por quê você veio para cá? – Ela perguntou.

-Não sei... Tava sem sono, então vim assistir TV.

-Você sabe aonde o seu irmão foi? Ele não está no quarto.

-Não sei.

Dylan nunca contaria o que aconteceu na noite passada. Nunca. Se os pais soubessem o que Kevin fizera...

-Se apresse, daqui a pouco você tem aula – A mulher disse, levantando-se.

-Não vou para a escola hoje.

-O quê? Como assim?

-Estou cansado demais... Não dormi o suficiente ainda...

A mãe reclamou bastante, mas Dylan não deu ouvidos. Subiu novamente para o quarto, trancou-se e jogou-se na cama. Aquela maldita cama, onde tudo tinha acontecido. Bastou colocar a cabeça no travesseiro para que o skatista adormecesse de imediato. O lençol branco ainda exibia uma mancha no local onde o sêmen escorrera.

Naquela altura, Jake estava tomando café em casa junto com a família. Tivera um sonho muito agradável com Dylan. Sempre acordava de bom humor quando o namorado aparecia nos seus sonhos.

A Vida de Jake (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!