PRÓLOGO

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PRÓLOGO

          Se você perguntar para um adolescente o que ele espera das suas férias escolares, ele provavelmente dirá coisas como passar um tempo na praia com os amigos ou então ir para o máximo de festas possíveis enquanto não precisa trabalhar. E claro, terão aqueles que irão atrás de coisas mais sérias, como procurar cursos ou formas de estudar para aumentar seu currículo quando terminarem todas as etapas da sua vida acadêmica.

          Eu não posso dizer que sou diferente, de certa forma eu queria estar junto de um grupo de amigos sentados em volta de uma churrasqueira ou quem sabe passar a noite toda conhecendo garotas nas mais diversas baladas pela cidade. E por mais que não fosse minha primeira opção, até mesmo estar fazendo um curso de inglês seria interessante.

          Mas seja como for, essa não é a minha situação atual. Na verdade, está bem longe das minhas sonhadas férias, eu diria até que é o completo oposto do que eu sonharia. No lugar de amigos, o que eu tenho aqui comigo são minhas duas irmãs mais novas. No lugar de música animada e garotas bonitas, eu tenho um casal de velhos cantando músicas populares de antes do meu nascimento, e claro, em vez de estar estudando, eu estou aqui sentando sem fazer nada, no puro tédio que essa situação pode gerar.

          Mas dizer isso pode parecer que eu sou uma pessoa ruim. Alguém que não quer passar o tempo com as suas adoráveis irmãzinhas pode realmente parecer um péssimo irmão, mas isso está longe do que eu realmente sinto. Dizer esse tipo de coisa nada mais é do que um modo de reclamar da vida sem realmente querer que ela mude. Quase como quando você diz que sua vida está um tédio, mas ao invés de sair para procurar algo para fazer, acaba indo olhar o teto do quarto por algumas horas até sentir fome. É só um jeito de deixar tudo como está usando a desculpa de que você não pode fazer nada para mudar a situação.

          Porém, ficar pensando nesse tipo de coisa agora não faz diferença, até porque eu nunca fui de me importar com isso, o mais importante aqui é focar nas duas últimas partes da minha família. As duas garotas sentadas ao meu lado, escutando, fascinadas, a velha cantar desafinadamente em conjunto com as notas sem harmonia que vem do violão do velho.

          A garota de longos cabelos castanhos sentada à minha direita é Minami. Uma garota extraordinariamente inteligente, eu diria. Primeira da classe, com notas máximas em quase todas as matérias, talvez seja o que chamam por aí de gênio.

          E a minha esquerda, com dois rabos de cavalos presos de lado, Luna. Se comparada a irmã, ela pode parecer nada muito especial, sempre na média e longe de qualquer expectativa grandiosa, como bolsas de estudos fora do país ou premiações por mérito escolar, mas ainda assim ela é especial. Sempre gentil e cuidadosa, chegando até ao ponto de ser irritante a quantidade de vezes em que ela pede desculpas pelas menores coisas imagináveis.

          Eu costumo pensar às vezes nelas como sendo "mente e coração", se você pudesse juntá-las teria a pessoa perfeita, um humano gentilmente inteligente que vai estar sempre disposto a ajudar da forma mais rápida possível. Mas isso não é uma coisa da qual eu deveria falar a elas, se isso acontecesse, provavelmente elas ficariam se achando muito...

          Cláp! Cláp!

          Meus pensamentos foram cortados pelas palmas das duas crianças ao meu lado. Como antes, elas ainda olhavam com um certo brilho nos olhos para tudo aquilo.

          — Você viu, irmão? Como ele tocava o violão. Eu quero aprender também! — Minami me olhava com os grandes olhos verdes, como se tivesse descoberto um novo mundo nesse espaço de tempo em que ficamos aqui sentados. — Se eu começar agora, quem sabe não consigo me tornar uma Idol quando ficar mais velha!

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