11. Do outro lado da cerca

46 8 4


Jake estacou ao esbarrar no padre Eustace, tentando entender o que o homem balbuciava. Qualquer coisa sobre uma granada e o refeitório e "crianças presas na cozinha". O líder encarou a esposa e ambos anuíram; estavam a meio caminho do estacionamento agora, mas precisavam voltar.

O impacto da explosão de momentos atrás havia desnorteado todos os afetados por ela. Marcus foi o único a perder a consciência. Íris e Clark seguiram por direções diferentes, cada um determinado a fazer alguma coisa para parar aquele pandemônio. Jake e Machete assumiram a responsabilidade de arrastar Marcus para longe da massa de mortos-vivos que vinha em sua direção.

Quando estavam próximos da entrada da escola, Jake viu Beatrice correndo junto a Sally para bloquear meia dúzia de infectados que tentava alcançar o ônibus de fuga. Enquanto Judith guiava algumas crianças para o veículo, as duas mulheres afastaram os infectados, correndo para ajudar a dupla ao notar Marcus desacordado atrás deles.

– O que aconteceu? – Beatrice gritou. Tinha um machado em mãos e a lâmina estava manchada por sangue escuro.

– Muita coisa! – Jake exaltou de volta. – Precisamos levar Marcus até um dos carros.

– Ei chefe! – os dois voltaram-se para Machete. – Se me cobrirem, acho que consigo levar o gordão até a caminhonete. Sally pode vir comigo. – Ele sabia que Jake e Beatrice não sairiam dali até todos estarem a salvo no ônibus. Conhecia dos dois o suficiente para entender e aceitar isso.

– Vá em frente. – Beatrice assentiu. Ainda não havia muitos infectados próximos ao estacionamento; a maioria se concentrava naquela área do pátio, dentro da escola, em lugares onde alguns sobreviventes já haviam caído frente à fúria dos mortos.

Sally ergueu a pistola e acenou para Machete seguir em frente. A ruiva era a imagem do pânico, com seus olhos grandes arregalados em pavor, mas ficou firme cobrindo a frente de Machete. O grandalhão abraçou Marcus por debaixo dos braços e começou a correr sem olhar para trás, confiando cegamente na direção que Sally tomava. Beatrice e Jake avançaram um pouco, um de costas para o outro, contendo e chamando os infectados para que o trio chegasse bem até o carro.

Foi naquele momento que o padre Eustace chegou até eles. Esbaforido, o homem agarrou Jake pelos ombros. Havia descontrole enquanto ele puxava Jake na direção do prédio.

– O que houve? – Beatrice derrubou dois mortos-vivos, dando ao marido a chance de investigar o ataque do mais velho.

– As crianças. – Eustace gesticulou. – Não conseguimos... Não tivemos tempo de voltar. Precisa ajudar. Max está lá, e Rose. Estão presos na cozinha!

– Vocês não vão conseguir chegar até lá pelo refeitório! – Beatrice retrucou ansiosa. Jake viu os dedos da esposa tencionando ao redor do cabo do machado. Assistiu sua expressão assumir ferocidade. Eustace olhou em volta, desarmado, parecendo perdido, até receber um empurrão de Beatrice. Ela colocou o machado sobre as mãos do homem e lhe estendeu um de seus olhares mais severos. – Cubra o Jake! Sigam por trás, até a porta dos fundos. Vou buscar um veículo e abrir passagem, pego vocês do outro lado da cerca. – ela avisou, tirando a Glock que tinha presa à calça.

Ela e o marido trocaram um único olhar de consentimento antes que Beatrice disparasse na direção do estacionamento.

Jake foi seguido pelo religioso até o parquinho onde alguns poucos errantes estavam; dali tomariam o corredor atrás da escola e alcançariam a saída de emergência da cozinha. A porta que a ligava ao refeitório seria impossível de alcançar, mas a passagem dos fundos devia estar mais acessível. Jake esperava que sim.

As Coisas que Perdemos [DEGUSTAÇÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!