Capítulo 31 - Brincando de casinha

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Nossa noite foi marcada por altas gargalhadas e por toda a felicidade de Sarah. Minha menina estava tão feliz. Talvez, meu casamento tenha chegado ao fim. Entretanto, pude vivenciar um momento "família", pude reviver o que tínhamos antes de Benjamin perder a memória. Assistimos Frozen, comemos chocolate e dormimos abraçados. Sarah dormiu entre Benjamin e eu. Vez ou outra, acordava para ver se eles ainda estavam ali, para ver se Benjamin ainda estava ali.

O sol invade o quarto. Abro os olhos devagar. Meu marido dorme tranquilo, assim como Sarah. Ela está aninhada a ele. Ben parece feliz em tê-la em seus braços. Levanto-me da cama, dobro meus joelhos e oro a Deus.

Vou até o banheiro, tomo um analgésico, pois meu corpo ainda está dolorido, devido aos hematomas do acidente. E, com certeza, dormir em uma gruta, contribuiu bastante. Sinto mãos massageando minhas costas, posso afirmar que não é Sarah.

— Bom dia. — Ben sussurra em meu ouvido.

— Bom dia. — encaro-o pelo espelho.

— Sou um bom massagista?

— É... pode continuar. — rio baixinho.

— Ainda está com dor, não é?

— Um pouquinho...

— Vou pedir pra Olga trazer nosso café. Pode ser? — suas sobrancelhas se erguem.

— Ou... — viro-me para olhar em seus olhos. — Nós podemos fazer nosso café. Mas desta vez, nada de cocos. — rio.

— Perfeito.

Deixamos Sarah dormindo e vamos fazer café. Pedimos licença aos empregados e tomamos a cozinha deles. Ben fez panquecas e eu fiz suco de laranja e café.

— Minha princesa... vamos acordar... — balanço Sarah delicidamente.

— Bom dia, mamãe...

— Vamos tomar café? O seu pai fez panquecas.

Rapidamente, Sarah senta-se na cama, estampando um sorriso gigantesco.

— Não vai me dar um beijo? — Ben finge estar triste.

— Claro que vou, papai. — ela pula para seu colo, dando um beijo em sua bochecha.

— O que acha de irmos ao shopping? — sugere Ben.

— Eu acho ótimo e você, mamãe?

— Claro, filha. — sorrio.

— Então, vamos almoçar, nos arrumar e passar a tarde, juntinhos, no shopping.

Sarah e eu assentimos e começamos a comer. Ben está surpreendendo-me como pai. Ele está desempenhando muito bem o seu papel. Ao menos um deles.
Vamos nos trocar e Sarah vai brincar no seu quarto, afinal, segundo ela, a saudade do seu quarto e dos seus brinquedos era muito grande.

— Qual fica melhor? — pergunto a Ben, mostrando-lhe um vestido azul e um verde.

— Gostei do verde.

— Vou ir com o azul. — ironizo.

— Estou me saindo bem como pai?

— Está sim, sr. Underwood. — sento-me na cama, ao seu lado.

— Então... eu sou o seu bonequinho de gelo. — ele prende-me em seus braços.

— É... pois é... — afasto-me.

— Está tudo bem, Katherine?

— Está sim.

— Por que se afastou? — ele franze o cenho.

— Porque eu cansei de me machucar. — dou de ombros.

— Amor...

— Amor? — rio irônica.

— Katherine, você pediu para eu agir como o seu marido.

— Sim e você não fez isso, na primeira oportunidade você se agarrou com a Camile. — trinco os dentes.

— Katherine eu...

— Nosso acordo é você adiar o divórcio por duas semanas e dar a Sarah o que ela tinha, por mais um pouco de tempo. Nada mais.

Estou prestes a sair do quarto, quando Ben puxa-me para si e aproxima nossos corpos. Tento soltar-me, no entanto, ele é bem mais forte do que eu.

— Nada mais? Olhe como você fica, quando eu toco em você... Katherine, você pode negar o que sente, eu posso pedir o divórcio, mas nós dois sabemos que no final dessa história, nós vamos acabar juntos. Sabe por quê? Porque nos amamos. Essa é a verdade. E, por mais que você diga que estamos brincando de casinha, para mim, tudo isso é real. Estou sendo seu marido, estou sendo o pai da Sarah. — cada palavra é dita, com ele olhando-me no fundo dos olhos.

Sinto uma lágrima rolar, ele enxuga-a.

— Eu cansei, Ben...

— Mas, Katherine... eu estou pedindo, implorando: tente. Tente me amar. Ao menos mais uma vez... eu não quero viver longe de você, longe da Sarah... eu quero melhorar. Eu quero mudar. Eu cansei de ser aquele Benjamin frio, que todo mundo odeia. — em meio às lágrimas, Ben soluça. — Deixe-me ser o seu marido, o pai da Sarah... vocês são minha vida. Eu não quero jogar minha família fora. Eu te amo. De verdade.

— Tentar te amar? Eu te amo demais, só que eu tenho medo, Benjamin. Coloque-se no meu lugar! Você não sabe tudo o que eu já passei por nós.

— Mais uma chance. Somente mais uma chance. É tudo o que eu estou te pedindo. Eu vou melhorar, eu prometo!

— Você já me prometeu muitas coisas... — choro copiosamente.

— Eu estou implorando, Katherine. Mais uma chance, por favor... prometo dar o melhor de mim para você, prometo ser o melhor pai e nunca deixar nada faltar para a nossa filha. Sei que já parti seu coração e também sei que você acha que eu não possuo um...

— Todo mundo acha que você não tem coração. — interrompo-o.

— Mas isso é mentira! Porque quem ama tem coração. Eu amo você.

Benjamin une nossos lábios em um beijo dotado de significados, de sentimentos. Vou dar-lhe mais uma chance. Não me julgue por isso. Tenho ótimos motivos para fazê-lo. Ben é meu marido, eu o amo, ele é o pai da minha filha e o meu preferido:

Deus faz o mesmo por mim.

Pois é... sou humana, portanto, estou propensa a errar. Eu erro todos os dias, por mais que eu tente, é impossível ser perfeita. Infelizmente, como seres humanos, todos os dias, por algum motivo, por mais fútil que pareça, nós partimos o coração de Deus. E, com certeza, parti muitas mais vezes o coração do Senhor do que Benjamin partiu o meu. Apesar de minhas falhas, Deus sempre me perdoa. Cabe a mim também perdoar. Gosto de dizer que eu só amo, porque Deus me amou primeiro. Devido a isso, também tenho de perdoar, afinal, eu nunca perdoarei alguém, mais do que Deus já me perdoou.

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Espero que tenham gostado, meus amores.

"Você nunca perdoará alguém mais do que Deus já lhe perdoou."
Max Lucado

Comentem e não esqueçam das estrelinhas. Elas enfeitam meu céu hehe.

Fiquem com Deus!
Amo vocês ❤

#ContratoDeAmor2 💍❤

Contrato de Amor: Memórias - Livro 2Onde as histórias ganham vida. Descobre agora