Capítulo 28 - 24 de julho (Sofia)

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24 de julho de 2016

Meu amado diário,

Estou sem ar...

Ok! Agora, no conforto do meu quarto, neste dia de domingo, estou bem. Confortável e com ar nos pulmões. Mas ontem, isso não aconteceu lá muito bem.

Lembras-te de te ter dito que estaria confinada na minha toalha? Depois de te ter descrito quase ao pormenor cada abdominal do corpo (M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O) do Pedro? Pois bem, não foi preciso sair da toalha para o voltar a ver.

É verdade!

Não só acertei na minha previsão de que ele iria estar lá na praia, como ele lá estava, e, prepara-te: completamente sozinho! É verdade.

Verdade... verdade...

A verdade, sobre estes meus sentimentos, não sei. Não sei se, como te disse, tem a ver com o C, ou se sou eu, simplesmente, a descobrir que há mais homens à face da Terra e que não tem mal nenhum eu aproximar-me deles. Também fiquei contente, de uma maneira estranha, mas boa, por saber que HÁ, de facto, mais rapazes na Terra e que são carinhosos e atenciosos.

Certo. Ainda não tinha tido propriamente uma conversa corrida com o Pedro. Não! Mas sabia que me tinha ajudado a erguer do chão e que sempre fora simpático para comigo. E isso, nesta altura, chegava-me.

Não te estou a dizer que me estou a apaixonar por ele. Longe disso. Já me chegou um "amor instantâneo" na vida. Mas é mesmo isso que te disse. O de descobrir que posso ser feliz. E que consigo ser feliz. Algo que preciso, não de provar aos outros, mas a mim mesma. E é isso que quero fazer! E foi o que tentei...

Mas a minha vergonha, naquele momento, tomou conta de mim.

Toda eu tremia pela maneira como a sua presença física afetava o ar à minha volta. E toda eu tremi quando as Gémeas, quando o viram a ler um livro, solitário na sua toalha de praia, o convidaram a ir passar a tarde connosco...

– VOCÊS FIZERAM O QU... – comecei a dizer, calando logo a boca ao ver Pedro aproximar-se elegantemente de nós. – OH! Olá Pedro – cumprimentei, matando as Gémeas mentalmente.

Pedro, obviamente contente pelo pedido, cumprimentou-me com um beijo na cara (beijo que desejei que tivesse sido como o que deu à sua melhor amiga) e estendeu a sua toalha. E estendeu-a bem perto da minha.

"Esta tarde promete...", pensei eu.

Deves achar-me confusa. Confusa no sentido de que, antes, tinha-te dito que queria ser feliz e conhecer rapazes novos. E é a verdade. Quero conhecer. Quero fazer novas amizades. Quero saborear o verão ao melhor estilo, mas não quero propriamente atirar-me para cima do Pedro. Se é atraente? É! Simpático? Também. Atencioso? Também. Porra. Mas, quando disse o que disse, estava a pensar somente em encontrá-lo em corridas, ou numa ida ao mar em que nos cumprimentássemos. Não que as Gémeas o convidassem para se deitar ao pé de mim!

Tirar os olhos dele era difícil, tal era a sua proximidade. E Meu Deus se ele não ficava sexy de sobrolho franzido ao ler. Um rapaz que gosta de ler... Quem diria?

- Como estás? – perguntou-me, depois de me apanhar distraída a olhar fixamente para ele.

- Bem até... - confessei. Mas nem sabia se era a verdade.

Ele anuiu com a cabeça e arrumou o livro no seu pequeno saco da Nike.

- Queres saber alguma coisa do Car...

- NÃO! Não... estou bem, a sério!

Parte de mim esperava que ele fizesse aquela pergunta. Uma parte que ainda sofria pela descoberta que fizera há já dias. Mas agora, perante ela, sabia que não queria saber a resposta. Eu e o C tínhamos seguido caminhos diferentes, com a promessa de sermos felizes. Aliás, poderá haver maior prova de amor do que deixar aquele que amamos ir? Não! E eu e o C sabíamo-lo bem. Tínhamos de descobrir como ser felizes.

- Se quiseres... Isto se calhar é estranho eu estar aqui, não? – inquiriu, apoiando a cabeça nos braços que, entretanto, cruzara sobre a toalha. Parecia um cachorrinho abandonado.

- Não...

Questionei-me se só sabia dizer aquela palavra e se teria de ir comprar um dicionário.

– Desculpa. Podes estar aqui à vontade. Assim, ao menos, não aturo as Gémeas sozinha – confessei, divertida ao olhar para elas e perceber o quão desastrosa estava a ser a tentativa de tirar uma selfie em condições.

- São tramadas, são! – atirou, sentando-se na toalha e olhando divertido para elas.

- Se são! Mas são as melhores! – retorqui, não deixando de ver a maneira como ele olhava para elas.

Conseguia perceber claramente que ele fazia por identificar as minhas palavras nelas.

– Queres ir ao mar? – perguntou-me.

- Bora! – Ele saltou da toalha e estendeu-me os seus braços esculpidos.

Oh! Deus... nem sabia se chegava ao mar pelos meus próprios pés.

Ele ergueu-me, afastando os meus pensamentos parvos e perversos, mesmo de rapariga que não estava habituada a conviver, e caminhámos calmamente até ao mar.

E se sabia bem o seu silêncio. Era confortável.

Por momentos, lembrei-me do C, mas rapidamente expulsei o pensamento ao ser atingida por uma onda.

- NÃO ME AVISASTE??? – Berrei para ele, completamente molhada, esperando a sua reação.

Mas riu-se! Tudo o que fez foi soltar um riso maravilhoso e contagiante.

- Desculpa..., mas a tua reação...

E riu-se, a pregas soltas.

Nunca tinha feito um rapaz rir assim tanto. E pensei, "estás a fazer-me qualquer coisa, Pedro."

Está e não sei o que é!

Sofia


P.S.: Ficas Comigo? (Nova Edição)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora