Concerto Parte 2

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Até agora tudo estava dando certo, o galpão estava lotado, os alunos tinham apresentado a primeira música perfeitamente bem, tínhamos recebidos muitos aplausos e eu permanecia no piano pronto para começarmos a segunda canção. Criar a seleção musical para a noite de hoje foi algo que me deu muito trabalho, minha meta era que apresentássemos músicas de gêneros variados, passei horas e horas sentado de frente ao computador procurando a combinação perfeita, e acho que finalmente encontrei. Pelo menos é isso que torço para que os convidados pensem.

A canção que tocaremos agora é Skyscraper de Demi Lovato, é internacional e foi um pouco difícil de fazer os alunos a aceitarem. Quem vai canta- lá e uma de minhas alunas chamada Ângela, ela é uma garotinha de 16 anos, pequena, mas com um roseirão de dar inveja, não faz o tipo de menina que vai para a escola cheia de adereços ou que tira nota ruim, pelo contrário todas as notas são altíssimas e a moça é o símbolo da timidez. Como a maioria das garotas tímidas, ela sofre bullying e foi uma tremenda batalha até que a grande parte da turma parasse de implicar com a mesma.

No primeiro dia de aula quando a vi escondidinha no fundo do galpão sem querer nem se apresentar, senti que ela poderia ter um dom especial, e quando a ouvi cantar tive plena certeza. Não demorou muito até que eu a colocasse na linha de frente do concerto. Reclamei inúmeras vezes o pessoal que criava apelidinhos pejorativos e a fazia chorar, a dei carona algumas vezes e até mesmo a motivei. Com o passar dos dias Ângela virou a Anjinha de todo mundo. As implicâncias que eram constantes foram substituídas pela amizade. Fui preenchido por uma paz indescritível ao saber que minhas atitudes tinham cessado as lágrimas de uma doce menina.

Diante de todos os tipos de chacota que a menina sofreu durante toda a vida, acredito que essa música é perfeita para ela. È a chance de ela usar a música para se libertar, como se a cada verso que ela cantasse, um pedacinho dela saísse de uma jaula. A cada palavra dita um novo ferimento se cicatrizasse. Eu e Anjinha sabíamos exatamente como era sentir que não sobrava nada dentro de nós, mas já superamos isso e vamos mostrar com essa canção.

Estamos todos posicionados em seus devidos locais. Anjinha está no centro do palco com um vestido preto rendado de mangas e seus cachos castanhos se encontram soltos. Acabo de dar inicio a música tocando no piano, alguns segundos se passam e nossa cantora não consegue nem se quer abrir a boca , suas mãos tremulas seguram o microfone como se fossem desmonta-lo e seus olhos parecem um pouco marejados. Faço um sinal para que o resto da turma que já tocava também pare, e vou até a jovem nervosa. Aproximando-me de Ângela a vejo balbuciar algo como se tentasse pedir desculpas, ela caminha em direção à saída do palco e estendo minha mão a ela, mesmo sabendo que todos na plateia estão assistindo a cena, inclusive minha namorada que está parecendo uma deusa de tão linda, espero que Mabi não tenha uma crise de ciúmes.

Ângela segura em minha mão e caminhamos juntos até o piano onde ela se senta ao meu lado, estou usando um daqueles microfones lapela orelha a boca então posso tocar e cantar ao mesmo tempo sem que haja problemas. Faço sinal para que a turma comece a tocar de novo e reinicio nossa apresentação, resolvo cantar primeiro para encorajar a moça a continuar.

Skies are crying

I am watching

Catching teardrops in my hands

Only silence, has its ending

Like we never had a chance

Do you have to make me feel like

There's nothing left of me?

Cada verso que canto faço questão de olhar bem nos olhos de minha aluna para que ela perceba que ninguém ali naquele palco está sozinho. Ninguém no mundo está, precisamos apenas encontrar as pessoas certas para que elas nos transmitam a forçar necessária para continuamos de pé. Para que subamos como arranhas céus. Noto que um sorriso começa a brotar em seu rosto, uma calmaria inexplicável paira entre nós, e o microfone em sua mão começa a ir em direção a sua boca, ela solta a voz e começa a cantar.

Ao som das batidas do seu coração .Leia esta história GRATUITAMENTE!