Capítulo 27 - O socorro chegou

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Abro os olhos lentamente. Graças a Deus, meu corpo já não está doendo tanto. Não sinto mais os braços de Benjamin a envolver-me.

Onde está Benjamin?

Levanto-me, analisando minusosamente cada canto da gruta. Não há nenhum sinal de meu marido.

— Ben? — chamo-o.

Entretanto, não ouço nada além de silêncio e os sons dos animais, é claro. Cuidadosamente, caminho para fora da gruta. À medida que percebo as plantas e os animas a minha volta, sinto arrepios. Parece que, a qualquer instante, uma cobra vai saltar em mim, ou uma aranha. Tenho quase que fobia de aranha, sejam grandes ou pequenas, elas assustam-me demais.

— Ben? — torno a chamá-lo.

Ouço o barulho de galhos quebrando-se. Por um instante, penso estar em um filme de terror.

— Bu...

Acho que meu grito pôde ser ouvido até em Los Angeles. Benjamin solta gargalhadas que também ecoam pela mata. Dou leves socos em seu peito, mas isso parece só fazê-lo rir mais ainda.

— Chega, Benjamin!

— Isso foi... — ele é interrompido por suas gargalhadas.

— Foi muito idiota. Você queria me matar do coração? Eu pensei... sei lá o que eu pensei, mas eu não encontrei você quando eu acordei e...

— Calma, Katherine! Fui tentar conseguir mais cocos para comermos. — explica-me.

— Tinha que me assustar assim? — bato em seu braço, mesmo ele sendo muito maior do que eu.

— Estou aqui, agora. — Benjamin envolve minha cintura.

— Conseguiu algo para comermos?

— Cocos e posso tentar pescar um peixe. — sugere.

— Vamos ficar com os cocos. Do jeito que você é, é capaz de assustar os pobres peixes. — desdenho.

— Eu quase morri para conseguir achar comida pra você e é assim que você me trata? — ele finge estar bravo.

— Pois é... mas não seja dramático, Ben. — sorrio sem mostrar os dentes.

— Vamos comer?

— Claro.

Caminhamos de volta para gruta e tomamos nossos "cofé", sim, a junção de coco e café. São efeitos de estar perdida em uma ilha. Perdida em uma ilha com o Benjamin.

— Imagina se você viesse parar aqui sozinho, Ben?

— Seria trágico.

— Você seria o náufrago. — rio.

— Está querendo dizer que eu faria de um coco o meu melhor amigo? — Ben faz uma careta engraçada, embora linda.

— Não... Afinal, você é aquele tipo de pessoa que não cultiva muitas amizades, então, a probabilidade de um coco querer ser seu amigo é mínima. — dou de ombros.

— Você está muito engraçadinha, Katherine...

— Estou com saudade da Sarah. É inevitável não pensar se um dia eu vou vê-la novamente, se um dia voltaremos pra casa, se você vai desistir do divórcio, se você vai lembrar... — suspiro pesadamente.

Ben aconchega-me em seus braços. Permito-me descansar.

— Minha mãe sempre me dizia que quando nos preocupamos, é como dizer a Deus que não confiamos nEle.

Contrato de Amor: Memórias - Livro 2Onde as histórias ganham vida. Descobre agora