Capítulo 26 - Em seus olhos

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Benjamin e eu ainda caminhamos pela mata. Conseguimos encontrar cocos. Ele levou uns vinte minutos para conseguir quebrar um. Devidamente alimentados, estamos procurando algum lugar mais seguro para nos abrigarmos. O sol já está quase se pondo, o barulho dos bichos é assustador. Provavelmente, estou com febre. Estou sentindo muito frio.

— Graças a Deus... — murmuro ao vermos uma gruta.

— Pise onde eu pisar e não solte minha mão.

Devagar, Ben e eu adentramos a gruta. O lugar é belíssimo. Se não estivéssemos perdidos, na iminência de nunca sermos encontrados, seria um lugar e tanto para passarmos as férias.

Ben pega alguns gravetos para fazermos uma fogueira. Após alguns minutos, conseguimos fazer fogo. Abraço meu próprio corpo, na tentativa de aquecer-me.

— Katherine... você está bem?

— Acho que estou com febre. — sussurro. — Minha cabeça também está doendo.

Ben tira seu casaco e coloca debaixo da cabeça. Escoro minha cabeça em seu peito, aninhando meu corpo no seu. Benjamin afaga meus cabelos de forma carinhosa. Vez ou outra ele checa minha temperatura ou deposita um beijo em minha testa.
Entrelaço nossos dedos, fico adimirando nossas mãos juntas.

— Será que vão nos encontrar? — sussurro.

— Espero que sim.

— Ben?

— Sim?

— Como vai ser, se voltarmos para casa?

— Já falamos sobre isso, Katherine.

— Lembro da nossa lua de mel... Podíamos ir para Verona, o que acha? — sugiro.

— Se sairmos dessa ilha, vou para onde você quiser. — seu olhar encontra o meu.

— Está em seus olhos, Ben.

— O quê?

— O amor. O amor está estampado em seus olhos. — sorrio.

— Estou olhando para você. Não tem como meus olhos refletirem outra coisa, se não amor. — há um lindo sorriso estampado em sua face.

O sorriso que julgo ser o mais lindo do mundo, ele só perde para a Sarah.

— Você é tão romântico, mas só quando quer. — rio. — Lembro de cada palavra que você disse, quando me pediu em casamento.

— Que estranho, eu não lembro.

— Bobo! — dou um soco de leve em seu peito.

— O que eu disse?

— Você disse que sempre foi o tipo de homem que esconde o que sente, para não demonstrar sua fraqueza. Disse que sentia-se inquebrável, inatingível, afinal, ninguém era capaz de desafiá-lo. Até eu aparecer.

— Bem humilde de sua parte, sra. Underwood. — brinca.

— Você falou que eu te quebrei, atingi e desafiei de uma forma intrigante e inigualável. Que eu consegui fazer com que o gelo que o envolvia derretesse, quebrei a pedra que envolvia seu coração e trouxe humanidade para dentro desse monstro. — aponto para ele.

— Acho que peguei pesado comigo mesmo.

— Você não faz ideia do que eu passei, Ben. Então, definitivamente, você não pegou pesado. — argumento.

— Pelo menos eu estava inspirado.

— Você disse que eu fui capaz de amá-lo, mesmo você sendo tão frio quanto o gelo, tendo o coração tão duro quanto uma pedra, mesmo sendo um monstro. Você disse que eu te amei e é verdade.

— Eu era tão ruim assim? — suas sobracelhas se erguem.

— Você era o rei dos icebergs, Ben. — minha gargalhada ecoa na gruta.

— Mas o rei dos icebergs, por algum motivo, conseguiu que a mais singela das flores se apaixonasse por ele. — ele acaricia meu rosto. Fecho os olhos ao sentir seu toque.

— Você explicou que tentou afastar-me, quando eu disse que te amava lá no estábulo, pois sabia que Kellan queria vingar-se. Sabia que seria perigoso ter-me ao seu lado. Por isso, lá no estábulo, você mentiu. Até porque, tornou-se inegável, incontestável. Você falou que sempre foi o tipo de pessoa que odiava assumir as coisas, ainda é, no entanto, você disse que me amava.

— Acho que fiz uma boa declaração... como você reagiu?

— Eu soltei fogos de artifício dentro de mim. Foi um dos dias mais felizes da minha vida, Ben. — beijo-o por alguns instantes.

— Ei... — protesta, por eu ter separado nossos lábios.

— Um dia antes de toda a declaração, você disse que iríamos com calma. Mas você ajoelhou-se, abriu uma caixinha e revelou suas intenções. Você disse que queria passar o resto da sua vida ao meu lado, cuidando de mim, tendo-me em seus braços e vivendo tudo aquilo que Deus quisésse que você vivesse. Você falou que queria que eu fosse a sua mulher. Então, você fez a pergunta mais importante: você aceita? E eu disse sim.

— Nossa! Eu fiz tudo isso... — ele parece impressionado.

— Com a ajuda da Lauren.

— Está falando sério?

— Seríssimo.

— Pelo menos para alguma coisa a megera da minha irmã serviu. — ironiza.

— Lauren sempre me ajudou muito. Ela é muito legal, completamente o oposto de você. — brinco.

— O que você disse, sra. Underwood? — Ben faz-me cócegas, arrancando-me altas gargalhadas.

— Chega... por favor, Ben. Por favor...

— Então, diz que me ama.

Ben para, seu olhar intenso deixa-me hipnotizada.

— Eu te amo. Amo muito.

— Eu também acho que te amo.

— Seu romantismo é lindo. — desdenho.

Benjamin está sendo tão... ele. Se Sarah estivesse aqui conosco, não veria a necessidade de sairmos dessa ilha. Não haveria nenhuma Bruxa atrapalhando nosso relacionamento. Ficaríamos bem.

Sob a luz da lua e diante de juras de amor, amamo-nos. A visão que se tem da gruta é linda. Não mais linda do que Benjamin.

Provavelmente, já é alta madrugada. Benjamin dorme tranquilo. O barulho dos bichos assustam-me.

— Ben?

— Hum? — indaga sonolento, sem sequer abrir os olhos.

— Você ouviu isso?

— Estamos no meio da mata, Katherine.

— Exatamente... vá que seja um animal grande? E eu não estou falando de você.

— Não se preocupe. Eu estou aqui. — ele afaga meus cabelos.

— Você está dormindo, Ben.

— Kat... eu estou cuidando de você. Descanse.

Abraço-me ainda mais a ele. Benjamin envolve-me como em um casulo. Depois de alguns longos minutos, consigo adormecer.

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Amores, espero que tenham gostado.

Quando o Ben quer ser fofo, ele arrasa. 👏👏👏❤

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Fiquem com Deus.
Amo vocês ❤

#ContratoDeAmor2 💍❤

Contrato de Amor: Memórias - Livro 2Onde as histórias ganham vida. Descobre agora